Oil & Gás

TotalEnergies: Consórcio Cobre Saída de Agências da Holanda e Reino Unido

A TotalEnergies e os parceiros no consórcio da Área 1 (Mozambique LNG) concordaram em fornecer capital adicional para substituir as entidades que abandonaram o projecto

O Governo britânico anunciou que já não empresta 1,15 mil milhões de dólares (empréstimos e seguro de exportação) que tinha prometido para a Área 1 em Afungi, Cabo Delgado, alegando que é muito arriscado. O Governo holandês anunciou que a Total havia optado por cancelar um pedido de seguro com a Atradius, a sua divisão de crédito à exportação, justamente quando a Holanda estava a finalizar uma decisão sobre a retirada com base numa análise independente de direitos humanos.

“Os parceiros do Mozambique LNG decidiram prosseguir sem a participação da UKEF e da Atradius, uma vez que estas duas agências de crédito à exportação ainda não tinham reconfirmado o seu compromisso”, que rondava 10% do financiamento, explicou a TotalEnergies, em comunicado. O acordo remonta a 2020, quando o consórcio fechou um financiamento de 15,4 mil milhões de dólares com um grupo cerca de 30 credores, abrangendo agências de crédito à exportação e bancos comerciais.

O acordo remonta a 2020, quando o consórcio fechou um financiamento de 15,4 mil milhões de dólares com um grupo cerca de 30 credores

“Além disso, a TotalEnergies tomou conhecimento dos relatórios encomendados pelo Ministério das Finanças dos Países Baixos às consultoras externas Clingendael e Pangea Risk sobre a situação dos direitos humanos e de segurança em Cabo Delgado”, anunciou. A multinacional lamentou que “ambas as consultoras externas não se tenham deslocado a Moçambique para realizar investigações no terreno, tendo produzido um relatório baseado sobretudo em informações recolhidas através de terceiros.” No mesmo comunicado, a Total voltou a afastar-se das acusações de que tem sido alvo, de cumplicidade em actos de violência praticados por soldados moçambicanos — remetendo para as clarificações publicadas nas suas páginas oficiais na Internet.

 

Todos à espera da retoma das obras

O projecto de gás natural liquefeito de 13 milhões de toneladas métricas por ano — riqueza que há mais de uma década se espera que transforme o País num grande exportador de gás — tem agora, na melhor das hipóteses, estimativa de arranque de produção em 2029. Os ataques extremistas de 2021 levaram à suspensão das obras de construção do complexo industrial de Afungi, onde o gás vai ser recebido de canalizações submarinas e entrar nas linhas (‘trains’) de liquefacção, antes de ser guardado em depósitos especiais. Dali, será exportado para cargueiros metaneiros, em cais a construir especialmente para o efeito. Todas estas obras vão levar tempo e só deverão ser retomadas depois de a TotalEnergies chegar a acordo com o Governo acerca dos custos causados pelos quatro anos de suspensão e sobre a forma de compensação. (DE)

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