Com os eu começo Sábado 22 , na África do Sul, a cimeira marcada por tensões diplomáticas boicote do presidente norte-americano, Donald Trump, os líderes presentes adoptarem uma declaração conjunta que aborda a crise climática e outras preocupações globais, texto esse que Washington contestou, mas que, segundo Pretória, “não pode ser renegociado”.
O porta-voz do Presidente Cyril Ramaphosa sublinhou que o acordo climático é resultado de meses de negociações intensas, destacando que a oposição dos EUA não será suficiente para reabrir o documento. A posição firme da África do Sul simboliza a intenção do continente de afirmar protagonismo na sua primeira presidência do G20.
“Quero que as nossas instituições de ensino superior ensinem aos africanos a agricultura como forma de honrar e pagar pelos cerca de 350 anos de colonização”, diz Lula da Silva
“Quero que as nossas instituições de ensino superior ensinem aos africanos a agricultura como forma de honrar e pagar pelos cerca de 350 anos de colonização”, diz Lula da Silva
No discurso de abertura, Ramaphosa lembrou que a cimeira “carrega as esperanças e as aspirações dos povos africanos” e apelou aos líderes para preservarem o valor histórico desta edição, a primeira em solo africano.
Apesar da agenda formal se concentrar em temas económicos e climáticos, o plano de paz dos EUA para a Ucrânia assumiu o centro das atenções nos bastidores. A proposta, que inclui concessões territoriais à Rússia e limitações militares à Ucrânia, alarmou aliados europeus e forçou reuniões de emergência entre líderes do bloco.
Numa declaração conjunta emitida à margem da cimeira, os líderes da UE, incluindo Úrsula von der Leyen e António Costa, enfatizaram que quaisquer elementos que envolvam a União Europeia ou a NATO só podem avançar com o consentimento pleno dos seus membros. A UE reconheceu que o documento norte-americano contém “pontos relevantes para uma paz justa”, mas sublinhou ser somente uma base que “exigirá trabalho adicional”.
A posição europeia reforça a preocupação crescente com o papel do continente na futura arquitectura de segurança ucraniana. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz reuniram-se para discutir alternativas ao plano de Washington e defender uma abordagem mais alinhada com os interesses europeus e a integridade territorial da Ucrânia.
Von der Leyen, ao intervir na sessão plenária, apelou a um crescimento económico “inclusivo e sustentável” e destacou a necessidade de respostas coordenadas aos desequilíbrios globais. Sublinhou ainda que a Europa tem responsabilidades próprias, mas que o esforço para corrigir assimetrias deve ser “colectivo”.
A diplomacia europeia intensificou-se nos bastidores, com contactos directos com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, que participou por telefone na véspera da cimeira. A mensagem comum foi a de reafirmar apoio a Kiev e a necessidade de qualquer solução de paz, respeitar o princípio fundamental de que “fronteiras não podem ser alteradas pela força”.
A ausência dos EUA, o desentendimento quanto ao plano climático e a controvérsia sobre o futuro da guerra na Ucrânia dominaram o arranque de uma cimeira que pretendia exaltar o protagonismo africano. Em vez disso, Joanesburgo tornou-se palco de debates urgentes sobre segurança global, multilateralismo e o equilíbrio de poder entre Ocidente e emergentes.
Como estas tensões serão conciliadas nos próximos dias irá determinar não apenas o tom final da declaração do G20, mas também o posicionamento internacional da África do Sul como anfitriã de uma das mais complexas edições do grupo.
A cimeira do G20 em Joanesburgo terminou no domingo, com a África do Sul a passar a presidência rotativa para os EUA, que não participaram na reunião.
O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa encerrou formalmente a cimeira do G20, passando a presidência para os EUA, «onde nos veremos novamente no próximo ano».
Ramaphosa que a África do Sul usou a sua presidência do G20 para colocar as prioridades da África e do Sul Global no centro da agenda, com base no foco no desenvolvimento das presidências anteriores da Indonésia, Índia e Brasil.
Ramaphosa disse que a África do Sul está «verdadeiramente honrada e humilde» por sediar o G20, a primeira vez que a cimeira é realizada em solo africano, descrevendo a ocasião como significativa não apenas para os sul-africanos, mas para todos os africanos.
«Reconhecendo a importância deste marco, procurámos colocar os interesses de crescimento e desenvolvimento de África no centro da agenda do G20», disse ele, acrescentando que «a maior oportunidade de prosperidade no século XXI está em África».
O líder sul-africano disse que aproveitar esta oportunidade dependerá de parcerias fortes entre África e o G20, bem como com o resto do mundo, e destacou a interligação entre as nações.
Ele disse que a declaração da cimeira vai além das palavras, comprometendo-se com ações concretas que beneficiem as pessoas em todo o mundo e demonstrando o valor do fórum em facilitar ações conjuntas sobre questões de interesse comum.
Os líderes comprometeram-se no sábado, na declaração, a trabalhar por uma paz «justa, abrangente e duradoura» no Sudão, na República Democrática do Congo, nos territórios palestinianos e na Ucrânia, condenando o terrorismo em «todas as suas formas e manifestações».
