A NQM Gold, subsidiária da empresa chinesa Shandong Yulong Gold, concluiu a aquisição de 70% dos activos moçambicanos de grafite da australiana Triton Minerals por 9,6 milhões de euros. A operação reforça a presença chinesa neste sector em Moçambique e ocorre num momento de crescente procura mundial de grafite, utilizado no fabrico de baterias para veículos eléctricos e em sistemas de armazenamento de energia.
A transferência abrange 70% das empresas moçambicanas Kwe Kwe Graphite Lda e Grafex Limitada, que detêm os activos de grafite da Triton Minerals no norte do País, incluindo o projecto de Ancuabe, em Cabo Delgado. A informação foi comunicada à bolsa australiana e citada pela Lusa, confirmando a entrada da NQM Gold como accionista maioritária, enquanto a Triton Minerals mantém os restantes 30%.
Em Dezembro de 2024, a Shandong Yulong Gold tinha acordado adquirir pelo menos 70% dos activos de grafite da Triton Minerals em Moçambique. A operação, contudo, ficou suspensa devido a um diferendo contratual entre as partes.
O negócio foi finalmente concluído na sequência de um acordo assinado a 18 de Agosto entre a Triton Minerals, a NQM Gold 2 Pty Ltd e sociedades associadas. As partes acordaram avançar com a operação e proceder ao pagamento do montante remanescente devido à empresa australiana.
Segundo a Triton Minerals, a transferência dos 70% de participação nas duas empresas moçambicanas para a NQM Gold foi concluída. O acordo prevê ainda o encerramento dos processos judiciais entre as partes e um mecanismo de compensação fiscal relacionado com as sociedades vendidas.
Num segundo comunicado à ASX, a Triton Minerals informou ter recebido 3,1 milhões de euros, correspondentes ao pagamento final em falta. Com a liquidação deste valor, foi encerrada a acção judicial entre as partes e concluída a transferência da participação maioritária nas duas empresas.
A operação ocorre numa altura de recuperação da produção nacional de grafite. Dados divulgados pelo Governo em Junho indicam que Moçambique produziu 28 018 toneladas no primeiro trimestre, quase o dobro das 14 814 toneladas inicialmente previstas para todo o ano. O Executivo atribuiu este desempenho à “consistência operacional do maior produtor deste mineral e à entrada no mercado de uma nova empresa no Niassa”.
A produção tinha recuado depois do recorde de 165,9 mil toneladas alcançado em 2022, passando para 97,3 mil toneladas em 2023 e 34,9 mil toneladas em 2024. Em 2025, recuperou para 67 078 toneladas, embora não tenha havido produção no primeiro trimestre devido à suspensão temporária da mina de Balama, em Cabo Delgado, durante os protestos pós-eleitorais.
Em Janeiro, o Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou no Niassa uma unidade de processamento de grafite construída com capitais chineses e avaliada em 200 milhões de dólares. A instalação tem capacidade para produzir e processar até 200 mil toneladas de grafite por ano e poderá empregar mais de 2000 trabalhadores quando atingir a plena capacidade.

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