Por: Edmar José Resta
De acordo com a entrevista promovida por um pesquisador residente na provincia de Cabo Delgado, em Maio corrente, indica que a população de Palma mostra-se insatisfeita pelas acções desumanas promovidas pelo projecto responsável pela exploração do Gás liquefeito da bacia do Rovuma no norte da província.
Durante as entrevistas realizadas, os residentes defenderam a mesma causa que segundo eles após a descoberta daquele recurso mineral na bacia do Rovuma, todas atenções viraram para a província de Cabo Delgado em particular para o distrito de Palma.

Entretanto, várias empresas foram mobilizadas e começaram a se instalar na capital da província e no distrito de Palma onde neste último a empresa responsável pelo processo de exploração do gás (LNG) informou aos residentes que para a materialização deste processo vários processos seriam envolvidos desde a deslocação das pessoas para zonas de reassentamento até a garantia de todos benefícios e satisfação das necessidades mas essenciais para a sobrevivência estável das populações.
Este é um camponês que está a milímetros da Peninsula de Afungi e diz que o processo não foi bem conduzido por parte do projecto e do governo.
“Meu nome é Fazila Chaíbo, eu vivia em Palma-sede e sou um dos visados deste problema de reassentamento por que nós fomos dados promessas falsas. Nós não estamos a viver bem, estamos a ficar só apesar de terem-nos dado casas, mas estas casas estão sob controlo deles que se acham de serem os verdadeiros responsáveis”.
Segundo Fazila falando ao Moz24h salientou que algumas familias que têm crianças quando estragam porta da casa os pais ficam com problemas e qualquer coisa que é danificado são cobrado pelos ditos responsáveis das casas e sendo assim, qualquer coisa que se estraga dentro da casa voce deve justificar, mesmo que seja para remodelar qualquer parte da casa deve dar informação aos donos.
No entanto, a nossa fonte afirmou que o projecto foi responsável pela deslocação das pessoas pesa embora, antes deles sairem para a zona de reassentamento a situação não estava boa, isto é havia problemas mas eles viviam nas suas próprias casas e faziam machambas la.
“Portanto, para falar a verdade as pessoas que são deslocadas não estão a ver o benefício que o projecto traz para as comunidades locais. Nós não nos conhecemos com as comunidades de Olumbe, Patacua por exemplo, mas temos relações um pouco com as comunidades de Senga por que é perto e Maganja por causa de eles serem vendedores de suas terras. Eles estão bem porque venderam as suas machambas. Não há nada que a comunidade tem para mostrar sobre oque o projecto fez” – declarou a fonte.
Durante a entrevista este residente, disse que em Quitunda tem pessoas locais que trabalham mas se é uma pessoa fora da área de habitação não tem acesso ao emprego ou então tens que mesmo comprar. Por exemplo, tem aqueles deslocados de Quitunda que fugiram da guerra, esses eram dados emprego.
Ele vai além ao afirmar que o projecto tentou ajuda-los um pouco porque do governo não sabem oque está a fazer, todavia ele está mais presente na própria vila de Palma.
“Nos fomos prometidos várias coisas mas no final não chegamos de receber tudo, por exemplo, sobre a compensação, haviam prometido que iriam nos dar casas, machambas e locais onde passaríamos a fazer actividades de produção uma vez que o mar estaria interdito.
Eu não vejo nada do que foi feito, por isso eu te disse antes que o projecto só está a beneficiar pessoas de Quitunda apenas. Por exemplo, nós não recebemos nada num dos processos de distribuição que decorreu aqui, o nosso processo estava nas mãos do chefe do posto de Olumbi dai não houve mais avanços” – afirmou Fazila.
Segundo as informações apuradas, algumas pessoas foram dadas machambas numa zona muito distante, e para chegar la pode até precisar de uma motorizada e os residentes apontam ainda para dificuldade no acesso ao combustível oque torna ainda tudo complicado.
Para o lado de casas que foram construídas para o reassentamento o entrevistado diz que são boas porque tem uma boa espessura e os blocos usados na construção eram fortes facto que sustenta a sua afirmação.
Falando da parte de alimentação, os residentes entendem que é a mais dificil e muito avançada em termos de custos por que segundo eles, para comer tem que ter dinheiro, e no passado eles chegaram de comprar 1kg de arroz a 500 MT e 1kg de farinha a 400 MT em tempos de crise e ainda houvesse o grito de socorro por parte deste grupo.
“Queremos pedir neste momento a paz, eles podem levar tudo, vamos continuar a comer a nossa mandioca de sempre, podem até levar o mar todo mas que nos dêe uma parte para praticarmos à pesca, porque mesmo com dinheiro enquanto não houver paz não haverá nada por isso pedimos que nos considerem porque nos também somos humanos e temos direitos” – Fazila Chaíbo.
A pesquisa foi além e procurou ouvir uma outra fonte que também é um lider comunitário e religioso da comunidade de Lalane e Olumbi, ele está acompanhando as funções no posto administrativo de Olumbi e localidade de Lalane.
“Eu sou da localidade de Quissengue na aldeia de Lalane eu fui nascido na localidade Quissengue, posto administrativo de Olumbi no distrito de Palma. Antes do projecto começar eu vivia em Olumbi onde tem a minha terra. Naquela zona ainda não há nenhum projecto não há ninguém que foi movimentado por causa de assuntos ligados com o projecto e não se porque isso nunca aconteceu e Por que também aqui antes da construção deste projecto nunca foi realizado uma consulta pública pesa embora que os brancos afirmam que chegaram ate em Olumbi para fazer esta actividade” – afirmou Abdala Mijai.
Questionado sobre a transparência e credibilidade do processo de reassentamento, o líder comunitário disse que em Olumbi não tinha certeza se a consulta pública havia chegado ou não mas tinha a certeza que na aldeia onde morava este processo não aconteceu. O projecto da Total segundo as informações avançadas tem beneficiado mais as pessoas que saem em Quitupo e pessoas de Senga (Mbandja) e algumas que vivem la em Quitunda. Não sabemos o porque é que só estas três comunidades é que estão a beneficiar do projecto da Total, o certo e que eles foram reassentados e tiveram boas recompensas por parte do projecto.
“Eles nunca fizeram consulta comunitaria com as comunidades para saber sobre as vossas vontades porque nos ali começamos a ser retirados em 2023 naquelas comunidades e em 2018 é que começamos a se dispersar. Na altura, quando da invasão dos insurgentes, o primeiro tiro aqui em Palma foi dado na comunidade onde eu estou que é em Lalane no dia 15 de Abril de 2018. Na mesma noite que entraram morreram duas pessoas, eles entraram por volta das 20h até as 2h enquanto estavam ali e daí foram embora” – declarou Mijai.
No mesmo diapasao de ideias Mijai recordou que conseguiu sair do local onde morava por causa da insegurança, por que depois dos ataques começarem a se fazer sentir em grande parte das zonas do distrito, com o dinheiro que tinha pensou em sair do distrito e foi para Inhambane onde começou uma nova vida. Após conseguir dinheiro a vítima contou que conseguiu resgatar a sua familia das zonas de conflito em que eles se encontravam.
Depois do seu regresso a vila de Palma Mijai diz que não foi informado sobre a inclusão do processo de entrega das casas na vila de Quitunda e nem foi um dos beneficiários, talvez seja por causa da sua saida em procura de zonas seguras e melhores condicoes de vida.
“Se me questionas sobre se houve algum tipo de força usado para a nossa retirada, seja pela polícia sobre o desempenho do processo de deslocamento eu digo o seguinte, oque aconteceu era assim, eles foram estratégicos nas ideias porque quando saímos daqui e eles nos mandaram para as zonas de reassentamento onde as pessoas vem que não estamos a ter nenhum benefício e nenhuma coisa boa, a nossa vontade tem sido de voltar para as nossas terras” – desclarou a fonte sustentando que cada pessoa desenrasca para voltar na sua zona de origem então se for que houve saídas forçadas deve ser mais no sentido de haver um plano estratégico e manobroso por parte das entidades responsáveis. “De tudo, aqui não houve uso de força física, talvez a força psicológica é que foi usada por meio de instrumentalização.
Segundo o líder comunitário, as coisas nunca saem completos sempre há um contraste com aquilo que vem plasmado no papel. Se passares em todos lugares verás que a população esta zangada com os responsáveis desses assuntos todos, por que eles prometem muitas coisas que depois não chegam de cumprir.
Note-se que em Palma tem pessoas que foram registadas para depois receberem os seus valores e não voltarem a frequentar mais a pesca, existindo programas que dão dinheiro para algumas pessoas, todavia outras não apanham nada. Com todas as deturpações que o processo cria os deslocados internos em Palma acreditam que o projecto da Total veio beneficiar somente as pessoas que foram afectadas pelo projecto que são as pessoas que saem das zonas de Mbandja, Senga Quitupo.
“Uma vez, havia uma moça que sempre ligava para mi lá no Afungi a me questionar sobre esse tipo de assunto, e eu perguntei a ela porque que estas empresas andam nos enganar, por que o desde o início até agora nós nunca beneficiàmos de apoio nem pelomenos do PMA (progrma mundial de alimentação). Em resposta ela disse que o programa só beneficiava as pessoas que foram reassentadas. Daí, após a minha reflexão conclui que este programa de Gás veio somente para as comunidades de Quitupo, Afungi, Mbandja e Senga eles é que são donos deste projecto” – frisou o líder comunitário.
Durante a entrevista, a fonte refere que nos seus argumentos que algumas pessoas dizem que o Gas é de moçambique mas na intergra o benefício é feito de forma desigual e não abrangente.
“Estamos aqui no distrito de Palma e so uma pequena parte do distrito são que beneficiam do projecto e não no seu todo, a nossa aldeia foi criada em 1977 mas até agora não há nenhum sinal de melhoria seja por intervenção do governo ou de projecto. O projecto ou o governo também devem nos olhar como pessoas por que nos temos direito a alimentação, direito ao trabalho, andar entre outros” – referiu a fonte.
No final da entrevista as vítimas da injustiça provocada pelo deslocamento promovido pelo projecto LNG pediram aos responsáveis para que dê assistência a essa população que clama tanto pelo sofrimento.(Moz24h)