O consórcio formado pela francesa Technip Energies, pela japonesa JGC Holdings e pela sul-coreana Samsung Heavy Industries foi seleccionado para executar o contrato de engenharia, aquisição, construção, instalação e comissionamento (EPCIC) do projecto Coral Norte FLNG, na Área 4 da bacia do Rovuma, ao largo da costa de Cabo Delgado.
Segundo informações divulgadas pelas empresas envolvidas, o valor global do contrato EPCIC é inferior a 5 mil milhões de dólares. A Technip Energies indicou que a sua parcela de receitas ultrapassa 1,1 mil milhões de dólares, enquanto a JGC revelou que a sua participação supera mil milhões de dólares. O montante refere-se exclusivamente à construção e entrega da plataforma flutuante Coral Norte FLNG, incluindo os trabalhos de engenharia, aquisição de equipamentos, construção e instalação, não abrangendo a totalidade dos custos associados ao desenvolvimento do campo de gás Coral Norte na Área 4 da bacia do Rovuma.
O Coral Norte FLNG, integrado na Área 4 da bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, corresponde à segunda unidade flutuante de produção de gás natural liquefeito a ser desenvolvida naquele bloco, depois do Coral Sul FLNG, que iniciou a exportação de gás em 2022 e se encontra actualmente em operação. A nova plataforma terá capacidade para produzir cerca de 3,6 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, permitindo elevar a capacidade total do complexo Coral para aproximadamente sete milhões de toneladas anuais.
Ao abrigo do contrato, a Technip Energies e a JGC serão responsáveis pela engenharia das instalações de superfície, aquisição de equipamentos e gestão global do projecto, enquanto a Samsung Heavy Industries ficará encarregue da construção do casco da unidade flutuante e da fabricação dos módulos industriais.
O director executivo da Technip Energies, Arnaud Pieton, afirmou que o empreendimento contribuirá para acelerar o desenvolvimento da capacidade de produção de gás natural liquefeito e reforçar o papel de Moçambique como fornecedor estratégico de energia para os mercados internacionais.
A adjudicação surge poucos meses depois de a Eni ter confirmado, durante a Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC 2026), que o Coral Norte representa o próximo grande passo da expansão do gás natural liquefeito na Área 4. A petrolífera italiana prevê que a produção tenha início em 2028, beneficiando da experiência operacional acumulada com o Coral Sul.
O projecto integra a estratégia de valorização das vastas reservas de gás descobertas na bacia do Rovuma, consideradas entre as mais importantes do continente africano. Além de aumentar a capacidade exportadora do País, o Coral Norte deverá gerar novas oportunidades para empresas nacionais, reforçar o conteúdo local e contribuir para o aumento das receitas fiscais provenientes da indústria extractiva.

