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Moçambique admite “grandes dificuldades” na aquisição de equipamentos letais

O ministro da Defesa de Moçambique reconheceu ontem “grandes dificuldades” para aquisição de equipamentos militares letais devido a exiguidades orçamentais, pedindo ao parlamento para priorizar a defesa, considerando que a segurança é fundamental para assegurar investimentos.

© Lusa

“Em relação aos equipamentos militares é aqui onde temos grandes dificuldades, particularmente no equipamento letal. Como sabem, as reposições de armas, munições e outro tipo de equipamento necessário para combater são uma grande dificuldade porque custam muito, os valores são bastante altos e o nosso orçamento para investimentos não consagra valores para qualquer tipo de investimentos”, disse o ministro da Defesa, Cristóvão Chume.

O governante respondia a perguntas da Comissão de Defesa e Segurança e Ordem durante uma audição relativa ao Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026, em que afirmou que, mesmo diante de poucos recursos para aquisição de material, os militares continuam no terreno a defender o território, elogiando o apoio de parceiros, sobretudo no fornecimento do material para travar o terrorismo.

Citando as decisões da multinacional francesa TotalEnergies e da norte-americana ExxonMobil para retomarem o desenvolvimento dos projetos de exploração de gás na bacia do Rovuma, antes interrompidos devido aos ataques terroristas, Chume indicou que é necessário apostar na defesa para garantir investimentos no país.

“Nós gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para reiterar ser necessário a Assembleia da República continuar a reforçar a ideia de que o setor de defesa tem que ser uma prioridade (…) o binómio defesa e segurança sempre andam juntos, onde não há segurança ninguém quer investir e onde há maior segurança as pessoas querem investir”, disse o ministro.

A petrolífera norte-americana ExxonMobil anunciou em 20 de novembro que levantou a declaração de ‘força maior’ para o megaprojeto de gás natural em Cabo Delgado, norte de Moçambique, passo essencial para a Decisão Final de Investimento, prevista para 2026, depois do levantamento da mesma cláusula pela TotalEnergies no âmbito do megaprojeto de gás de 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de euros) ao fim de quatro anos.

O Governo moçambicano espera em 2026 o défice orçamental mais baixo em vários anos, em termos nominais, caindo para 113.664 milhões de meticais (1.536 milhões de euros), equivalente a 6,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o quadro fiscal previsto na proposta do PESOE para 2026, aprovado pelo Governo, em discussão no parlamento, essa previsão compara com o défice de 126.878 milhões de meticais (1.714 milhões de euros) previstos para este ano, equivalente a 8,2% do PIB.

O Governo de Moçambique reviu em baixa, para quase metade, a previsão de crescimento económico em 2025, para 1,9%, cortando também na estimativa para 2026, que aponta agora para um aumento de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

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