A adjudicação do concurso 43A000741/AD/07/DG/INATUR/2025 à empresa “Singita International, Limited”, no valor de 102 milhões de dólares para a angariação de um parceiro para o desenvolvimento de um empreendimento turístico na Ilha Santa Carolina, ocorre num dos momentos mais frágeis da economia moçambicana. O Estado é incapaz de atender às necessidades básicas da população; enfrenta atrasos salariais para os funcionários públicos e redução de investimentos nos sectores sociais essenciais. Ao mesmo tempo, o país mantém um enorme potencial turístico, que é crucial para a captação de receitas, geração de emprego e diversificação económica.
No entanto, enquanto reconhece esse potencial, o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) mostra reservas quanto à oportunidade do projecto. É que Moçambique enfrenta hoje prioridades muito mais urgentes: estabilidade macroeconómica, serviços básicos funcionais e protecção social. É neste contexto de fragilidade, de escassez de recursos e de instituições debilitadas que a decisão de investir 102 milhões de dólares num projecto turístico de luxo deve ser cuidadosamente analisada. O padrão recorrente de mega-investimentos públicos que acabam transferidos para elites político-partidárias, privatizando lucros e socializando prejuízos, torna a cautela e a transparência ainda mais imprescindíveis.
