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Kenmare Exportou Mais de Meio Milhão de Toneladas de Minério no Primeiro Semestre

De acordo com um comunicado oficial, a empresa, que explora a mina de minerais de titânio de Moma, na província de Nampula, iniciou o ano com elevados volumes de produtos acabados armazenados, pelo que concentrou a sua estratégia na transformação dessas existências em receitas. O director-geral da Kenmare, Tom Hickey, afirmou que as expedições constituem a “maior prioridade” da empresa em 2026, acima do aumento dos volumes de produção.

A Kenmare produz ilmenite, rutilo e zircão na mina de Moma e representa cerca de 6% da oferta mundial de minerais de titânio, bem como uma proporção semelhante das exportações de Moçambique. O titânio integra actualmente as listas de minerais considerados críticos na União Europeia, no Reino Unido e nos Estados Unidos da América.

Arranque da WCP condiciona produção

A produção de concentrado de minerais pesados caiu 37% em termos homólogos no primeiro semestre, devido à redução prevista do teor do minério à medida que a exploração em Namalope se aproxima do fim e ao menor volume de minério escavado.

O desempenho foi igualmente condicionado pelo arranque mais lento do que o esperado da Unidade de Concentração Húmida A, conhecida como WCP A. A produção de ilmenite diminuiu 40%, uma queda ligeiramente superior à registada no concentrado de minerais pesados, devido ao menor teor de ilmenite no material processado.

Perante este desempenho, a Kenmare prevê que a produção de ilmenite em 2026 se situe aproximadamente em linha com a meta de 800 mil toneladas, em vez de superar esse nível, como anteriormente esperado.

O director de operações da empresa, Ben Baxter, informou que praticamente todos os principais trabalhos de construção e instalação da WCP A foram concluídos, encontrando-se a unidade já em funcionamento. Contudo, o aumento da produção tem sido afectado por problemas no desempenho da draga, incluindo falhas recorrentes nos travões dos guinchos de rotação e o desgaste prematuro de algumas peças.

A Kenmare acordou com o fabricante uma solução permanente para o problema dos travões, ao abrigo da garantia de concepção, enquanto algumas componentes do sistema de bombagem continuam sob investigação. A empresa previa aplicar 30 milhões de dólares em despesas de desenvolvimento durante o ano, tendo investido 23 milhões de dólares no primeiro semestre. Os restantes sete milhões deverão ser aplicados na segunda metade de 2026.

A Kenmare espera que a produção aumente no segundo semestre, apoiada pelo desempenho da WCP B, pela retoma da mineração a seco, pela melhoria progressiva da WCP A e pelo início de uma segunda operação de mineração selectiva no quarto trimestre. A companhia informou ainda que o primeiro semestre decorreu sem acidentes de trabalho que resultassem em perda de tempo.

ZrTi impulsiona produção de concentrados

A produção de concentrados aumentou 770% em termos homólogos, impulsionada pelo ZrTi, um material anteriormente tratado como resíduo, mas para o qual a Kenmare identificou procura no mercado. A empresa está a processar uma reserva histórica de ZrTi e prevê continuar a vender o produto ao longo de 2026 e em 2027.

Tom Hickey esclareceu que os elevados volumes registados este ano não deverão manter-se nos próximos exercícios, uma vez que resultam do processamento de material acumulado. A estimativa de planeamento da empresa aponta para volumes anuais de ZrTi entre 30 mil e 40 mil toneladas nos próximos anos.

Apesar desta oportunidade comercial, a Kenmare pretende recuperar uma proporção maior dos seus principais produtos, nomeadamente ilmenite, zircão e rutilo, reduzindo gradualmente a produção de ZrTi.

A produção de ilmenite diminuiu 40%, uma queda ligeiramente superior à registada no concentrado de minerais pesados

Dívida líquida situou-se em 176 milhões de dólares

A Kenmare aumentou a sua linha de crédito rotativa em 30 milhões de dólares durante o primeiro semestre, elevando o montante disponível para 230 milhões de dólares. A empresa alterou igualmente algumas condições financeiras associadas ao crédito, com o objectivo de obter maior flexibilidade.

A dívida líquida situava-se em 176 milhões de dólares a 30 de Junho. Na primeira semana de Julho, a companhia recebeu 14 milhões de dólares de clientes, montante que, segundo Tom Hickey, teria mantido a dívida líquida praticamente inalterada face ao final de 2025.

A empresa gerou fluxos de caixa positivos antes das despesas de capital destinadas ao desenvolvimento, apesar de considerar que o mercado poderá estar próximo do ponto mais baixo do actual ciclo de preços.

A Kenmare continua a negociar com o Governo moçambicano a renovação do Acordo de Implementação relativo à mina de Moma. O acordo anterior terminou formalmente no final de 2024, mas a empresa continua a operar ao abrigo das condições anteriormente estabelecidas enquanto decorrem as negociações. (D.R)

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