Este problema é uma acção humana desde 2014, não é calamidade natural mas decisões humanas não tomadas e silêncio institucional segundo munícipes de Pemba com destaque os residentes nas proximidade das crateras naquela zona que pelas imagens mais parece um abismo morte certa principalmente para alguém que la cair sem paraquedas!
Por Quinton Nicuete e Estácio Valoi
A ruptura da Estrada Nacional Número Um (EN1), na zona de Chapa 50, no bairro de Mahate, arredores da cidade de Pemba, em Cabo Delgado, não nasceu com as últimas chuvas. A cratera que hoje corta a principal via que dá acesso ao centro da capital provincial Pemba e até liga a três bairro da urbe como Mahate, Muxara e Metula, é o culminar de uma história longa, marcada por avisos formais, decisões contestadas e uma alegada sequência de omissões por parte de instituições públicas e actores privados.
João Adoi, morador nas proximidades da cratera no bairro de Mahate, indicam que o problema começou a ganhar forma ainda durante o período em que Abdul Razak liderava a província. Segundo Adoi, foi nessa fase que se iniciaram intervenções que alteraram o comportamento natural da drenagem naquela área, sem que tivessem sido implementadas soluções estruturais adequadas para mitigar os riscos.
Uma Nota comunitária, apresentado por João Adoi à Moz24h, datada de 4 de agosto de 2015, dirigida ao Conselho Municipal de Pemba e ao Conselho Executivo Provincial de Cabo Delgado, já alertava para o perigo iminente. Na nota, assinada pelo secretário do bairro, a população denunciava uma situação de erosão associada a uma drenagem mal conduzida junto a uma infraestrutura industrial, pedindo intervenção urgente antes da chegada de novas chuvas. O documento foi entregue. Alerta dado, denunciava a expansão das crateras mas que pelos factos hoje apresentados, medidas necessárias não foram tomadas, fizeram ‘ ouvidos de mercador’, cegos e mudos! Das instituições de direito, a resposta nunca chegou mas, sim da própria cratera, cansada de pedir por uma intervenção cabal!

Nota do Conselho Executivo do Bairro de Mahate
Segundo Adoi, o problema não resulta de fenómenos naturais isolados, mas sim de uma combinação de factores, incluindo intervenções ou da acções humanas mal planeadas. Entre os nomes apontados nos relatos está a empresa Abu Varinda, alegadamente associado a actividades na zona no escoamento ilegal de areia bem como a empresa Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG), que terá estado envolvida em trabalhos de construção da drenagem e colocação de tubagem de fornecimento de água que abastece Pemba e agora contadas. A fonte referem que a Administração Nacional de Estradas-ANE tinha conhecimento da situação.
“Os mesmos que tiravam área naquela zona para construção, neste caso Abu Varinda’, o mesmo agora que se junta a outros para improvisar a via alternativa do “Escritório via Kaya Village.” Disse um dos cidadãos no local onde estão as crateras.
O que é factual é que, ao longo dos anos ou uma década e meia, o local foi sendo ocupado, infraestruturas foram erguidas e a pressão sobre o terreno aumentou, sem que fossem visíveis obras de contenção, reforço ou requalificação da drenagem. Enquanto isso, a estrada eixo vital de ligação da província permanecia exposta.
Outro morador, António Costa, fala de um padrão repetido: visitas de dirigentes, promessas de intervenção e ausência de execução. O problema cresceu à vista de todos, sem resposta proporcional à sua gravidade. “Avisámos há anos ou desde 2015. Ninguém apareceu”, resumiu a fonte comunitária.
Hoje, com a estrada interrompida, a mobilidade está comprometida, o comércio afectado e a população exposta. Passageiros caminham a pé onde antes circulavam viaturas, enquanto as autoridades procuram soluções de emergência para restabelecer a ligação.
O chefe técnico da ANE em Cabo Delgado, Daudo José, reconheceu que já existiam sinais de degradação e que havia um contrato para intervenção numa das áreas afectadas. No entanto, o surgimento de uma nova cratera, mais profunda, obrigou à suspensão total da circulação e à criação urgente de um desvio.
A crise actual ocorre num contexto em que o Governo continua a anunciar investimentos significativos para reabilitação de estradas na província e regalias aos antigos Chefes de Estado. Ainda assim, no terreno, a percepção da população é de abandono e desigualdade na aplicação de recursos.
Num contexto em que infraestruturas críticas como a EN1 em Mahate entram em colapso após anos de alertas ignorados, o debate público intensifica-se com decisões recentes ao mais alto nível do Estado.
Em abril de 2026, o Presidente Daniel Chapo aprovou um pacote de regalias para antigos Chefes de Estado, que inclui um subsídio mensal de cerca de 600 mil meticais, viaturas de luxo, viagens em classe executiva e apoio para habitação. As medidas, que abrangem figuras como Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi, têm gerado forte debate num país onde comunidades continuam a enfrentar falhas básicas em serviços essenciais.
Para muitos cidadãos, o contraste entre os elevados custos destas regalias e a degradação de infraestruturas fundamentais levanta questões sobre prioridades na gestão dos recursos públicos e a real correspondência entre arrecadação fiscal e benefícios colectivos.
Ainda sobre outras hecatombes naquela zona, uma fonte confidenciou ao Moz24h sobre o estaleiro pertencente a empresa Abu Varinda alegadamente alugado a petrolífera italiana ENI. Onde revela que: ” os aeroportos emitiram um parecer para o Conselho Municipal da Cidade de Pemba (CMCP) afirmando que naquela área nada podia ser construído porque devido aos ventos iria perigar a navegação aérea, principalmente nas aterragens e decolagens, assim a construção de um estaleiro nas imediações do aeroporto representa um perigo iminente a navegação aérea”. Disse a fonte
Enquanto grandes decisões e projectos avançam e investimentos milionários são divulgados especificamente naquela área onde mais abaixo vislumbram por exemplo a base logística (LNG), comunidades como as de Mahate continuam a conviver com infraestruturas críticas em colapso enquanto medidas paliativas vão sendo tomadas como a via alternativa que se almeja entrando pelo “ Escritório” até “4 Caminhos e saída ou entra por “Kaia Village” como alternativa.
A cratera-abismo que hoje divide Pemba não é apenas um problema de engenharia. E, esta não é a única cratera na zona
É um retrato de decisões acumuladas, responsabilidades difusas, ‘ o crocodilo tanto cresceu” e hoje é necessária uma intervenção de vulto! Uma das perguntas de entre muitas que permanece sem resposta são : Quem falhou, quem responde a quem é o responsável? (Moz24h)