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Insurgentes intensificam ataques em Cabo Delgado após batalha por Catupa

Os insurgentes ligados ao Estado Islâmico em Moçambique, ISM, intensificaram os ataques em Cabo Delgado nas últimas semanas, na sequência de operações militares na floresta de Catupa, distrito de Macomia, segundo dados do Zitamar News e do Mozambique Conflict Monitor da ACLED.

O que aconteceu em Catupa?
Forças moçambicanas e ruandesas realizaram nas últimas semanas operações de pressão contra combatentes do ISM que operavam ao longo da costa e na floresta de Catupa, em Macomia.

Em resposta, os insurgentes dispersaram para oeste, em direção aos distritos de Muidumbe e norte de Montepuez. Paralelamente, o grupo aumentou as operações nos distritos de Eráti e Memba, na província de Nampula.

O uso de dispositivos explosivos improvisados – IEDs tem sido central na estratégia defensiva do ISM na região. Desde 2021, a ACLED registou 45 incidentes com IEDs, dos quais 35 em Macomia e Mocímboa da Praia. A maioria foi colocada em estradas que rodeiam a floresta de Catupa, com o objetivo de travar a movimentação das FADM e das forças ruandesas.

Entre 1 e 4 de Junho foram registados 3 novos IEDs, embora as Forças de Defesa do Ruanda – RDF tenham identificado e destruído dois.

Escalada de violência em Julho-Maio 2026
O padrão recente aponta para uma campanha de intimidação e não para uma ofensiva de conquista territorial:
8 de Maio: Ataque em Chiúre. Cinco civis cristãos mortos, 163 casas e uma igreja incendiadas em Namaculili.
17 de Maio: O ISM reivindicou ter matado 27 milicianos Naparama na floresta de Katapua, após incendiar a aldeia de Messanje, em Chiúre. Foi um dos confrontos mais mortíferos entre os dois grupos.
21 de Maio: Um alegado “combatente cristão” foi morto por suspeitos do ISM.

Outros ataques visaram igrejas católicas em Ancuabe e Chiúre, estradas em Mucojo e Mueda, e zonas de garimpo artesanal de ouro em Meluco e Ancuabe, incluindo Ravia e Muaja. Os insurgentes ocuparam brevemente os locais, provocando a fuga dos garimpeiros, e depois raptaram dezenas para resgate.

Impacto humanitário e militar
Deslocados: Em Nampula, mais de 60.000 civis fugiram de casa desde 10 de Novembro devido à série de ataques em Eráti e Memba.
Fatalidades: Só entre 10 e 23 de Novembro de 2025 foram registados pelo menos 14 eventos de violência política e 12 mortos em Cabo Delgado. Desde Outubro de 2017 já são 6.341 mortos.
Tropas: As forças ruandesas continuam como pilar da resposta, com mais de 5.000 efetivos, focadas na segurança da infraestrutura de GNL de Palma e Mocímboa da Praia. A SAMIM retirou em 2024 por falta de financiamento.

Analistas alertam que o ISM mudou de estratégia: saiu do controlo territorial para ataques direcionados com forte impacto psicológico e mediático. O objetivo atual parece ser demonstrar mobilidade e obrigar as forças de segurança a uma postura permanentemente reativa.

Contexto
A insurgência em Cabo Delgado já causou mais de 6.000 mortos e deslocou centenas de milhares desde 2017. Apesar dos ganhos militares, o Governo ainda não consolidou o controlo territorial, permitindo que o ISM se reorganize.

Os ataques ocorrem numa altura em que a ExxonMobil e a TotalEnergies retomam os megaprojetos de GNL em Palma, que nunca foram atacados diretamente, mas dependem do perímetro de segurança garantido pelas tropas ruandesas.

Em síntese: Após a pressão em Catupa, os insurgentes mudaram o eixo dos ataques para o sul de Cabo Delgado e norte de Nampula, usando IEDs e raptos como armas de desgaste, numa tentativa de espalhar o pânico e fragilizar a resposta do Estado. (Moz24h)

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