A exportação de energia eléctrica por Moçambique recuou 41% de Janeiro a Setembro de 2025, situando-se em cerca de 275 milhões de euros. A quebra está associada à seca que afectou a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), uma das maiores barragens de África. Os dados constam do mais recente relatório do Banco de Moçambique (BdM), citado pela Lusa.
De acordo com o banco central, as vendas de electricidade atingiram 275 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2025. Este valor compara com 462,1 milhões de euros no mesmo período de 2024. A diferença traduz uma redução significativa da capacidade de exportação, que teve impacto directo nas receitas externas do País.
O BdM explicou que o desempenho foi condicionado por vários factores. Entre estes, destacam-se “as condições hidrológicas adversas e por problemas técnicos registados num dos principais fornecedores, os quais limitaram o volume de energia disponível para exportação”. Como resultado, a produção e a oferta de energia foram afectadas. Este cenário contribuiu para a queda das exportações.
Entretanto, a actual época chuvosa já permitiu alguma recuperação dos níveis de água na albufeira da HCB. Após mínimos históricos provocados pela seca, os níveis mais do que duplicaram. “Estamos agora a recuperar. Estamos a aproximar-nos aos 50% da capacidade, provavelmente até ao final da época chuvosa, no final deste mês, estaremos muito próximos dos 50% e estamos a vir de 20%”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da empresa, Tomás Matola.
Segundo o responsável, esta recuperação deve-se sobretudo às chuvas registadas a montante da albufeira. Os afluentes foram “determinantes para esta recuperação”, explicou. Matola indicou ainda que a produção será ajustada ao longo do ano. “Vamos depois, ao longo do ano, produzir, usando esse armazenamento”, acrescentou, prevendo nova recuperação na próxima época chuvosa.
“E, sobretudo, da África do Sul, em que é muito grande o nível de procura. É muito mais alto em relação a todos os países da região. Portanto, com esses projectos nós entendemos que seremos, sim, um ‘hub’ energético na região”, afirmou. Tomás Matola acrescentou que a visão da HCB é atingir até 4000 MW de capacidade até 2034. Actualmente, a capacidade está nos 2075 MW.
Apesar destas perspectivas, a produção de electricidade em Moçambique caiu 25% em 2025. O País registou cerca de 14,4 milhões de MegaWatt-hora (MWh), o que corresponde a 76,7% do plano anual e menos 25,4% face a 2024. “A baixa produção deveu-se em grande medida ao fraco desempenho das centrais hídricas”, refere o relatório.
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