Moz24h Blog Economia Banco Mundial Acusado de Usar Dados “Desactualizados” na Classificação de Moçambique Como Segundo País Mais Pobre do Mundo
Economia

Banco Mundial Acusado de Usar Dados “Desactualizados” na Classificação de Moçambique Como Segundo País Mais Pobre do Mundo

A ministra das Finanças de Moçambique, Carla Louveira, acusou o Banco Mundial (BM) de utilizar estatísticas desactualizadas no seu mais recente relatório, que coloca o País como o segundo mais pobre do mundo. Segundo a governante, os dados usados levantam dúvidas sobre a avaliação da pobreza.

Falando esta terça-feira, 7 de Abril, à margem das celebrações do Dia da Mulher Moçambicana, em Maputo, Carla Louveira explicou que o documento foi produzido com base em dados antigos, o que compromete as conclusões apresentadas.

O relatório, intitulado “Actualização Económica de Moçambique: Da Fragilidade à Estabilidade”, publicado em Março, afirma que Moçambique é “o segundo país mais pobre e está entre os dez mais desiguais do mundo”. A divulgação gerou forte repercussão mediática.

Como consequência, multiplicaram-se manchetes que classificam Moçambique como “o segundo país mais pobre” do planeta. Carla Louveira considera que esta leitura não reflecte a realidade nacional.

A governante classifica a afirmação como “obviamente falsa”, defendendo que implicaria colocar Moçambique numa posição inferior à de países afectados por conflitos, como a Somália, o Afeganistão, o Sudão ou o Sudão do Sul.

 

“As estatísticas utilizadas foram recolhidas durante o período da pandemia da covid-19 e publicadas em 2022”

Carla Louveira

Carla Louveira recordou ainda que não é a primeira vez que o BM é acusado de divulgar informações incorrectas sobre Moçambique. No final da década de 1990, a instituição esteve associada a dados que sustentaram o desmantelamento da indústria de processamento de castanha de caju.

Na altura, foram utilizadas estatísticas consideradas fraudulentas, segundo as quais as castanhas processadas teriam menor valor do que as não processadas. A ministra considera que há semelhanças com a situação actual.

Segundo Carla Louveira, apesar de o relatório ter sido publicado em Março de 2026, os dados utilizados remontam a 2019. “As estatísticas utilizadas foram recolhidas durante o período da pandemia da covid-19 e publicadas em 2022”, afirmou.

A governante acrescentou que o BM se limitou à análise da “pobreza de consumo”, que avalia se as famílias conseguem suportar uma cesta básica. Em contrapartida, o Governo adopta o conceito mais amplo de “pobreza multidimensional”.

Pobreza em Moçambique

Carla Louveira sublinhou ainda que o calendário de análise aplicado a Moçambique foi diferente do utilizado noutros países. “Em muitos desses países, a análise comparativa foi feita com pesquisas domiciliares recentes”, disse, defendendo que dados mais actuais apresentariam um cenário distinto.

Questionada sobre a liquidação antecipada da dívida de Moçambique ao Fundo Monetário Internacional, Carla Louveira esclareceu que o pagamento não foi feito com recurso ao Orçamento do Estado. “O nosso país possui Reservas Internacionais Líquidas disponíveis”, afirmou, referindo-se a fundos externos do Estado.

Segundo explicou, essas reservas continuam suficientes para cobrir entre quatro a cinco meses de importações de bens e serviços. A dívida liquidada, no valor de mais de 514,04 milhões de direitos de saque especiais (SDR), equivalente a 701,4 milhões de dólares, foi paga com esses recursos e teve apenas um “ligeiro impacto”.

Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)

Sair da versão mobile