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Há banditismo na PRM

Por Edwin Hounnou

 

Acabamos de assistir uma cena bastante triste protagonizada por elementos da PRM (Polícia da República de Moçambique), em Xinavane, província de Maputo. Um grupo de polícias assassinou um cidadão – Narciso Sambo – capturado, neutralizado por outros policiais. Estava sendo arrastado por gente à paisana quando um polícia, à paisana, pega na pistola e rega-lhe três tiros na cabeça, à maneira de bandidos que matam sem remorso nem esperam pela justiça. Em um país onde a justiça escasseia, os bandidos actuam como bem entendem e esse grupo de policiais acabou demonstrando que, no nosso país, não há justiça.

Narciso Sambo era procurado pelo SERNIC (Serviço Nacional de Investigação Criminal) de que ele vinha cometendo diversos tipos de crimes tais como envolvimento em homicídios, violação sexual, roubos à mão armada. , Esse acto com características criminosas, deixou as pessoas horrorizadas pela forma como a polícia banaliza a vida humana.

Nada, neste mundo, pode justificar a maneira como a polícia agiu – atirando contra alguém em mãos de outros policiais e da população. O SERNIC perde muito tempo procurando bandidos e assassinos fora das suas fileiras, quando, de facto, esses estão nas suas próprias fileiras, vestidos da mesma farda, marchando ao mesmo ritmo, cantando as mesmas canções, falando a mesma linguagem policial.

Para que não restem mais dúvidas, o comunicado do Comando-Geral da PRM (Polícia da República de Moçambique) parece não tomar a sério, a concluir pelas palavras brandas como se refere ao um assunto tão grave de assassinato, o que deixa antever que nada vai acontecer ao polícia que agiu daquele modo. Os criminosos persistem por saberem que nada lhes acontecerá. O Comando-geral não vê nada.

Nenhum crime pode ser combatido por outro crime. Qualquer crime só pode ser combatido com prevenção, capturando os bandidos e entregá-los à justiça para que sejam julgados. Não é isso que aconteceu em Xinavane. Todos viram um policial sacando uma pistola e disparou, à queima-roupa, contra um indivíduo imobilizado.
Um crime não combate outro crime assim como um criminoso não combate outro criminoso. O polícia que assassinou Narciso Sambo tem tudo para ser um criminoso. Qual era a pressa para o eliminar? Não lhe convinha que fosse presente à investigação e à justiça? O que desejava esconder? Foi por uma mera indisciplina? Era seu comparsa na prática de crimes de que Narciso Sambo vinha sendo acusado?

Há mil e uma perguntas que se podem levantar à volta desta melindrosa questão. Estas perguntas deveriam ser respondidas pelo polícia que se fez de valente e nós estamos para ouvir a narrativa do atirador. Não bastará que o tal polícia seja chamado a responder, apenas, em processo disciplinar, mas esperamos vê-lo, sobretudo, em tribunal para que actos semelhantes não voltem a se repetir.

O Ministério Público não irá mexer uma palha, segundo a experiência que bastante. Não conhecemos nenhum policial que foi levado à barra da justiça pelos assassinatos que aconteceram durante as manifestações que se seguiram às eleições de Outubro de 2024. A polícia fartou-se de assassinar manifestantes, nem sequer um foi intimado para responder pelos crimes cometidos. Estamos habituados a ver a polícia e o Ministério Público a agirem de tal modo.

O militar que, conduzindo um blindado, passou por cima de uma manifestante, na Cidade de Maputo, até se gaba de ter feito um acto heróico. O polícia que arrebentou a mandíbula de uma modista, no seu próprio atelier, se considera um acérrimo defensor do regime. Os polícias que atiraram contra uma caravana em pleno acto fúnebre, em Ressano Garcia, nada lhes aconteceu.

Existem mais de mil exemplos que fundamentam a nossa total descrença neste Ministério Público que só defende o sistema e não o povo. Por outros tantos motivos, dizemos que nada vai acontecer com o polícia que assassinou, à queima-roupa, um suposto delinquente já neutralizado. Só assassinos poderia protagonizar tal proeza.

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