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Inundações transformam bairro em “lago” em Pemba: mais de 150 famílias denunciam abandono das autoridades

Mais de 150 famílias do bairro Eduardo Mondlane, na zona de Wimbe, na cidade de Pemba, enfrentam uma situação crítica provocada pelas chuvas intensas dos últimos dias, que deixaram casas submersas e obrigaram alguns moradores a abandonar as suas residências.

A água invadiu quintais e interiores das habitações, atingindo níveis que variam entre meio metro e um metro e meio, transformando parte do bairro num verdadeiro lago a céu aberto. Em algumas zonas, estima-se que entre 40% a 50% da área esteja completamente inundada.

Entre os afectados está José Dauaque, que viu-se forçado a abandonar a sua casa devido à subida das águas. Emocionado, relata a frustração de quem perdeu o pouco que tinha e acusa o município de falta de resposta perante uma situação que se agrava a cada nova chuva.

Moradores ouvidos no local dizem que o problema não é novo, mas tornou-se mais grave nos últimos tempos. Segundo explicam, anteriormente existiam canais informais de drenagem abertos pela própria comunidade, que permitiam o escoamento da água em poucas horas após as chuvas.

“Antes, a água tinha por onde passar. Depois de algumas horas ou um dia sem chover, tudo voltava ao normal. Agora, a água já não escoa. Fica acumulada”, descreveu um residente.

A população aponta como uma das causas da actual situação a ocupação de espaços que anteriormente facilitavam a drenagem natural, incluindo terrenos privados, o que, segundo os moradores, dificulta qualquer intervenção directa da comunidade.

“Sabemos que há direitos sobre os terrenos, mas alguém com poder deve encontrar uma solução. A água não está a conseguir chegar ao mar”, acrescentou outro morador.

A ausência de um sistema eficiente de drenagem urbana é apontada como o principal factor por detrás das inundações. Sem canais adequados para conduzir as águas pluviais até à praia de Wimbe, a água permanece estagnada por longos períodos, agravando o risco de doenças e deterioração das habitações.

Os residentes alertam ainda para possíveis impactos estruturais em edifícios próximos, incluindo unidades turísticas da zona costeira, caso a situação se prolongue.

Além das perdas materiais, cresce o receio de um problema de saúde pública, uma vez que a água parada pode facilitar a propagação de doenças. “Se continuar assim, todo o bairro pode ter de ser evacuado”, avisam.

Os moradores acusam o Conselho Municipal de Pemba e outras entidades governamentais de inação, afirmando que as autoridades têm conhecimento da situação, mas ainda não apresentaram soluções concretas.

Enquanto isso, o bairro permanece parcialmente submerso, e a cada nova chuva aumenta o risco de mais famílias perderem as suas casas, num cenário que a população descreve como insustentável e cada vez mais próximo de uma crise humanitária local. (Moz24h)

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