Economia

Governador vai la constuir a estrada!

Por Quinton Nicuete e Estácio Valoi

 

 

As principais estradas asfaltadas da província de Cabo Delgado enfrentam um processo acelerado de degradação, com o aumento significativo do número de buracos que se agravam a cada dia de chuva. A via que liga Pemba a Montepuez, considerada uma das mais estratégicas da região por conectar as duas maiores cidades da província, está entre as mais afectadas, apresentando crateras profundas que dificultam a circulação e aumentam o risco de acidentes.

Foto: Quinton Nicuete/Crateras

 

O percurso de aproximadamente 200 quilómetros, que antes era feito em menos de duas horas, passou a durar até oito horas, segundo automobilistas. Situação semelhante é relatada nas rotas Pemba–Macomia e noutras ligações distritais, onde condutores e passageiros descrevem viagens marcadas por atrasos, avarias constantes e prejuízos mecânicos, apelando a uma intervenção urgente das autoridades para evitar que as vias fiquem completamente intransitáveis e comprometam a mobilidade de pessoas e bens na província.

Na sua mais recente aparição o governador de cabo delgado apareceu como que a delegar o seu dever de construir infraestruturas viárias a uma outra entidade a deve sim  implementar o plano.  Tuabo defendia a asfaltagem do troco Namuno montepuez numa accao mais de propaganda politica e nao o começo  de uma contrucao que vem sendo prometida , adiada faz quase uma decada ou mais limitando se apenas a divulgacao de fundos alocados mas que a estrada essa numca foi reabiulitada  ou construida  de raiz como ‘e necesario .

Eniquanto isso a empreitada em questão tanto reclamada pelo povo  deixada para os putos da ANE  que vao tapando burracos a troco de 5,10 meticais enquando os milhoes desaparecem na ANE em construcoes sem qualidade varidas sempre  que a chuva cai ou nunca construidas!

 Após a publicação da reportagem “Distritos ricos em minerais, estradas pobres em dignidade”, que denunciava o colapso da estrada que liga Namuno a Montepuez e o aumento do preço do transporte de 200 para 500 meticais, começaram a surgir reacções das autoridades locais e provinciais.

Governador de Cabo Delgado defende asfaltagem da estrada Namuno-Montepuez. A estrada, com menos de 100 quilómetros, encontra-se severamente degradada, sobretudo no troço de Mahurussi, onde as chuvas intensas agravaram a situação. Em vários pontos, viaturas ligeiras enfrentam enormes dificuldades para atravessar, obrigando passageiros a dividir a viagem em dois transportes. O custo total passou a atingir 500 meticais, penalizando residentes, comerciantes e doentes que dependem diariamente daquela ligação.

Na sequência da repercussão pública, Onildo Nascimento reuniu-se na segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2026, com motoristas e cobradores na estação de Namuno para discutir o aumento das tarifas. Durante o encontro, reconheceu o estado crítico da estrada, mas enfatizou que os passageiros não podem ser lesados com preços considerados excessivos, sobretudo num contexto de redução do preço do combustível. Segundo fontes presentes, os transportadores concordaram em baixar os valores praticados, admitindo também que o desgaste da via tem sido um dos factores que influenciam os custos operacionais.

A equipa liderada por jovem voluntário, Saidina Segundo Júnior, que tem acompanhado o caso, recebeu a informação com satisfação, entendendo que a exposição pública do problema contribuiu para acelerar respostas concretas a nível local.

Poucos dias antes, o governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, havia classificado a estrada como prioridade do executivo provincial. Durante um encontro em Namuno, afirmou que a via está degradada, que a transitabilidade está comprometida e que a sua asfaltagem não é uma opção, mas uma necessidade urgente. Acrescentou que a situação afecta a circulação de pessoas e bens numa região estratégica para o escoamento de produtos agrícolas e para a mobilidade das populações do interior da província.

Foto: Quinton Nicuete /Automobilistas tentam esquivar crateras

Namuno e Montepuez são distritos com forte actividade mineira e elevado potencial económico. Em Namuno há exploração de ouro e outras pedras preciosas. Em Montepuez destaca-se a presença de rubis de alto valor comercial, além de outros recursos minerais estratégicos. Apesar disso, a população continua a enfrentar estradas degradadas, custos elevados de transporte e dificuldades constantes de mobilidade.

A contradição permanece evidente para os residentes. Distritos que geram riqueza significativa continuam a ver as suas principais vias em colapso sempre que as chuvas se intensificam. A questão que ecoa nas comunidades é directa: as receitas da exploração mineira, incluindo os 2,7 por cento destinados às comunidades locais, estão efectivamente a traduzir-se em melhorias concretas nas infra-estruturas?

A recente redução das tarifas pode aliviar temporariamente os passageiros, mas não resolve o problema estrutural. Enquanto não houver reabilitação profunda ou asfaltagem definitiva da estrada Namuno–Montepuez, a população continuará vulnerável aos mesmos constrangimentos, pagando caro por uma via que deveria ser motor de desenvolvimento e não obstáculo à dignidade.

Enquanto isso, arrancaram nesta segunda-feira, 24 de fevereiro, os trabalhos de reabilitação da Estrada Nacional Número 14, no troço Metoro–Montepuez. O acto foi orientado pelo Delegado Provincial da Administração Nacional de Estradas (ANE), Jorge Govanhica, e contou com a presença da administradora do distrito de Montepuez, Jenuina Nangudo, do administrador do distrito de Ancuabe, Belmiro Casimiro, membros dos respectivos governos distritais, líderes comunitários, representantes do Fundo de Estradas (FE), partidos políticos e da população local. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o empreiteiro responsável, o prazo de execução ou o custo da intervenção.

Segundo Adriano Nuvunga, Director do Centro para Democracia e Direitos Humanos, “um governante não fala sobre as coisas, faz as coisas. O trabalho dos governantes não é apenas falar, é agir. Virar-se para o público e falar é blá-blá, é conversa, é boi para dormir. Governo que tem compromisso com o desenvolvimento faz as coisas, e faz com foco no acesso ao desenvolvimento da população. Não se trata de construir uma estrada para depois montar portagens; trata-se de fazer de facto. Um governante com ideias e visão faz as coisas para a população, para apoiar a melhoria da vida das pessoas e, especificamente, para ajudar a acabar a guerra em Cabo Delgado. Não se vai resolver a situação sem investimentos concretos,” concluiu.

Fto: Estacio Valoi/Mesa Montepuez
Fto: Estacio Valoi/Mesa Montepuez

 

Nós somos ANE

Andavamos ainda em Junho de 2021 sob crateras e balúrdios para a construção da entrada.

Milhões de dólares “voam” anualmente para melhoria das estradas moçambicanas a “tapa buracos” em tempos secos, destapados à velocidade da água assim que a chuva cai.

Desta vez não foi diferente. Numa publicidade pornográfica o governo moçambicano na voz do Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos disse recentemente, que vai investir mais umas verdinhas em 200 milhões de dólares (168 milhões de euros) na melhoria das estradas da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique onde as intervenções terão início em Agosto.

“Estamos investindo aproximadamente US$ 200 milhões na província de Cabo Delgado para estradas de acesso”. “É um investimento significativo” dissera  o Ministro João Machatine a jornalistas na sua mais recente visita à província de Cabo Delgado.

Sem grande publicidade a moda chique em écrans gigantes, estão os putos ANE.

São pupilos de diferentes faixas etárias que no seu dia-a-dia vão tapando covas, crateras ontem chamadas de estradas, o abismo em que hoje se transformaram perante o olhar impávido da Agência Nacional de Estradas de Cabo Delgado (ANE).

Os putos varrem areia, pedras sobre covas com suas mãos nuas perdidas no vermelho do solo, rasgadas pelas pedras que vão recolhendo para tapar os buracos  ao esquivo permanente de viaturas de toda carga que por elas passam. De braço estendido, palma da mão espalhada, de quando-em-vez cai-lhes umas quinhentas a 10 meticais largados por alguns automobilistas de boa vontade que por ali passam. Por ali também passam o director da ANE, ministros, generais, directores em viaturas de alta cilindrada de olhos grandes postos nos buracos, à velocidade do vento que quase ou nada sentem nas nádegas amortecidas pelas grandes molas, latas pagas pelo orçamento dos livros, escolas, uniforme.

Fto: Estacio Valoi/Mesa Montepuez
Fto: Estacio Valoi/Mesa Montepuez

Uns sim outros não, em viaturas a custo do imposto do cidadão pacato cruzam buracos numa viagem alucinante à moda whiskey, champanhe, vinho, prostitutas a luxo pago pelo orçamento robusto do contributo moçambicano ou a boleia das instituições da Brentwood em milhões de dólares ditos para a reabilitação e/ou construção de estradas. À mistura do sonambulismo nascem como cogumelos básculas, portagens no ghetto em prol duma indústria tapa buracos dos putos ANE que vai crescendo à velocidade da luz.

Manuel tem 12 anos assim como os outros da sua turma. Abdul deixou de estudar a sua 3ª. Classe para inconscientemente fazer parte da nova indústria tapadora de buracos e crateras, substituindo a ANE. Com as suas mãozinhas comparativamente às grandes máquinas empregues em obras de construção de estradas, os putos já cobriram uns bons quilómetros de estrada.

Lá também estava Oussufo, todo rasgado, as fraldas abertas da Guerra em Cabo Delgado, que o deixara despido a ele e a outros milhares de crianças entregues ao Deus dará, pedintes forçados a kg de feijão ou a papinha que não lhes chega.

A 10 meticais dia ou quase 100 por mês diz Oussufo, é para comprar comida, cadernos com recurso à profissão inconveniente que já exerce, tapador de buracos. Por ali também se cruzam umas viaturas, umas com letras azuis, vermelhas carimbadas nas suas portas, aquelas que olham mais para questões da criança como a UNICEF, outras que vão distribuindo redes mosquiteiras ou paracetamol com as da Cruz Vermelha, outras que vão deixando uns kits de alimentos como o PMA.

Esses, os putos da ANE, lá continuam com seus baldes tortos, mãos rasgadas, cobertas de poeira, linhas reentrantes e salientes, rugas que vão fermentando sobre dedos cujo lápis e caneta se perderam no longínquo horizonte, olhos vergados, de tocaia nos rodopios inocentes da mão estendida a 10 meticais.

O senhor da ANE, de vento em popa lá cruza os buracos, “olhe os pobrezinhos” deixando-os pelo retrovisor a ver se pela mão-leve não foi assaltada a sua garrafa de whiskey ou o pisca não lhe ficou pelo caminho, ou se o rato do mato ou dos rubis não estava por ali para contrabandear uns, a sua aquisição em notas grandes para aquecer a sua amante ou prostitutas no regresso ao Palácio.

Uns já nem os pneus roçam os buracos ou crateras, e sobre estas voam de peneira ou vassoura de pouco ou nada fazerem para manter o emprego. Não fosse aquela estrada – buracos de Montepuez a Pemba, as alfândegas que os rubis, o ouro ou corno de rinoceronte passam. Pelo menos os agentes das alfândegas até conseguiram tapar um buraco pela estrada. Fizeram uma grande apreensão, o gel lubrificante dos LBTG. Os putos da ANE pés descalços vão comendo a poeira, suas pás meadas, perdidas, a areia que levam vai vertendo antes que esta seja descarregada no buraco, sendo necessário mais umas quantas meadas até que o buraco fique cheio.

 

As mãos dos putos substituíram o tractor, o cilindro ficou-se pelos calos dos pés dos miúdos que vão passando a palma do pé em giros, frente, lado, atrás, de quando-em-vez deitada. O pé brinca em manobras de engenharia a multinacionais contabilizadas em milhões de dólares. Os putos da ANE. Cozem quilómetros de estrada a 10 meticais. Manuel não sabe sobre seu futuro, apenas sobre os dias em que é ANE faz meses que chegou àquela zona, transformado em deslocado de guerra.

Nem 10 meticais deixam ao Manuel se não aprontar o dedo a umas bolachas estendidas como se Manuel tivesse pedido bolachas, espelho criado à sua volta. Manuel virgem, morreu virgem. Os amigos contaram-me dias depois da nossa conversa em malta. Foi atropelado pelo director da ANE que nem parou para ver, até tentou depois, mas o corpo do Manuel ficou perdido na enorme cratera. Depois ouvimos na radio que o director vai reabilitar as covas, até criou portagem para recolher dinheiro para a reabilitação.

Também por ali, todos os dias passam os carros das multinacionais a bilhões de dólares feitas com a nomenclatura política moçambicana, camiões de grande tonelagem a zig-zag.

ANE ali entre as bombas da Êxito que nem mais combustível cospem, sai o Diretor…

Na saída da estrada duas faixas a custo de 40 milhões de meticais, a qual, a passo de camaleão vai entre adjudicação direta aos amigos na moda “comissões”, mãe, filha, filhos até vendem os seus ao baile de umas notinhas, no meio ventam restaurantes se travessia para os clientes, bombas de combustível, moradores sem aviso prévio, sem indeminização palmilham a terra vermelha, seus carros dispostos em esquinas à mercê da mão leve do Presídio Municipal na próxima eleição. Lá passa o Diretor da ANE na sua Toyota Hilux.

Milhões de dólares “voam” anualmente para melhoria das estradas moçambicanas a “tapa buracos” em tempos secos, destapados à velocidade da água assim que a chuva cai.

Somos os putos, somos a ANE.

Hoje, passado cerca de 6 anos, continuamos tentar ouvir tocar o mesmo disco cansado de riscado que já deveria ter sido posto no lixo. E o governador ao em vez de construir bate palmas de contente a solo a defender a construção do aslfalto ao em vez de construir!

Cabo Delgado tem cerca de mil quilómetros de estradas asfaltadas e todas têm buracos em quase toda a sua extensão.(Moz24h)

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