Economia

Gaza: Resultados da Pesquisa Sobre Existência de Areias Pesadas no Bilene Serão Conhecidos Até Março

As autoridades do distrito de Bilene, província de Gaza, região Sul de Moçambique, revelaram que serão conhecidos, até finais do primeiro trimestre deste ano, os resultados da pesquisa sobre a existência de areias pesadas naquela área.

Citado pela Rádio Moçambique, o administrador daquele distrito, Momade Araújo, explicou que, caso os resultados sejam positivos, a exploração de areias pesadas poderá criar condições para o crescimento económico local e da província, contribuindo também para a geração de emprego para os jovens.

Neste sentido, para uma melhor implementação das actividades no futuro, o governante revelou estarem a decorrer, actualmente, “trabalhos de sensibilização das comunidades que serão abrangidas pelo projecto, com vista a contribuir e participar em todos os processos.”

Areias pesadas são depósitos minerais costeiros ricos em minerais densos, como ilmenita, rutilo, zircão e outros, usados na produção de titânio, pigmentos e materiais industriais. Esses depósitos são abundantes na costa leste, especialmente nas províncias de Nampula, Gaza, Inhambane e Zambézia, representando uma parte estratégica da economia mineral do País.

Em termos específicos, a mina de Moma, localizada em Nampula, e operada pela Kenmare Resources (Irlanda), é uma das maiores produtoras mundiais de concentrado de minerais pesados (HMC), contribuindo com cerca de 7-8% do suprimento global de ilmenita e rutilo. Em 2025, a empresa manteve as metas de produção, apesar dos desafios climáticos e da demanda global mais lenta, com 298 400 toneladas de HMC no terceiro trimestre.

 

A província de Gaza já é reconhecida por possuir areias pesadas, concretamente no distrito de Chibuto, onde a chinesa Dingsheng Minerals se dedica à sua exploração, possuindo uma fábrica orçada em 700 milhões de dólares, instalada numa área de três mil hectares e equipada com duas linhas de produção capazes de processar 10 mil toneladas de minerais por dia, sobretudo minérios de titânio.

Em Inhambane, o arranque da exploração das vastas reservas de areias pesadas descobertas nos distritos de Jangamo e Inharrime continua sem data marcada, apesar do elevado potencial económico que o projecto representa para o País. Confirmada em 2017, a existência de 4,4 biliões de toneladas deste recurso mineral é considerada estratégica para a economia nacional e para o reforço das exportações.

Dois anos depois, em 2019, o Governo concedeu à empresa Mutamba Mineral Sands uma licença mineira de 25 mil hectares, mas, seis anos após a concessão, a exploração não arrancou devido à falta do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT), documento imprescindível para qualquer operação mineira.

Entretanto, no distrito de Pebane, província da Zambézia, a actividade mineira da empresa África Mining, de capitais chineses, permanece suspensa devido à ocupação das instalações e infra‑estruturas por parte de membros da comunidade local, que contestam o alegado incumprimento de promessas sociais feitas pela empresa. (DE)

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