As autoridades do distrito de Bilene, província de Gaza, região Sul de Moçambique, revelaram que serão conhecidos, até finais do primeiro trimestre deste ano, os resultados da pesquisa sobre a existência de areias pesadas naquela área.
Citado pela Rádio Moçambique, o administrador daquele distrito, Momade Araújo, explicou que, caso os resultados sejam positivos, a exploração de areias pesadas poderá criar condições para o crescimento económico local e da província, contribuindo também para a geração de emprego para os jovens.
Neste sentido, para uma melhor implementação das actividades no futuro, o governante revelou estarem a decorrer, actualmente, “trabalhos de sensibilização das comunidades que serão abrangidas pelo projecto, com vista a contribuir e participar em todos os processos.”
Areias pesadas são depósitos minerais costeiros ricos em minerais densos, como ilmenita, rutilo, zircão e outros, usados na produção de titânio, pigmentos e materiais industriais. Esses depósitos são abundantes na costa leste, especialmente nas províncias de Nampula, Gaza, Inhambane e Zambézia, representando uma parte estratégica da economia mineral do País.
Em termos específicos, a mina de Moma, localizada em Nampula, e operada pela Kenmare Resources (Irlanda), é uma das maiores produtoras mundiais de concentrado de minerais pesados (HMC), contribuindo com cerca de 7-8% do suprimento global de ilmenita e rutilo. Em 2025, a empresa manteve as metas de produção, apesar dos desafios climáticos e da demanda global mais lenta, com 298 400 toneladas de HMC no terceiro trimestre.
Dois anos depois, em 2019, o Governo concedeu à empresa Mutamba Mineral Sands uma licença mineira de 25 mil hectares, mas, seis anos após a concessão, a exploração não arrancou devido à falta do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT), documento imprescindível para qualquer operação mineira.
Entretanto, no distrito de Pebane, província da Zambézia, a actividade mineira da empresa África Mining, de capitais chineses, permanece suspensa devido à ocupação das instalações e infra‑estruturas por parte de membros da comunidade local, que contestam o alegado incumprimento de promessas sociais feitas pela empresa. (DE)
