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Festival Wimbe 2026 em polémica: artistas locais questionam cachês e critérios de selecção

Pemba, Cabo Delgado – O cartaz do Festival Wimbe 2026 já foi divulgado, mas a programação está a gerar críticas e questionamentos nas redes sociais. Artistas e internautas levantam dúvidas sobre a valorização dos músicos locais, os valores propostos para as actuações e os critérios utilizados na selecção dos artistas.

Entre os nomes que vieram a público manifestar descontentamento estão Idrisse ID, Carlos de Lina e Egfar Manuel Magangar. As declarações dos três músicos reacendem um debate antigo no sector cultural moçambicano: quanto vale o trabalho de um artista local e como são definidos os cachês para grandes eventos realizados na própria província?

A polémica ganhou força depois de Idrisse ID revelar, através da sua conta no Facebook, que foi contactado pela organização do Festival Wimbe para actuar mediante um cachê de 10 mil meticais, proposta que decidiu recusar.

Acerca do Festival Wimbi, eles ligaram-me e disseram que me queriam no festival, com o cachê de 10.000 MTs. E eu não aceitei.”

A declaração rapidamente provocou reacções entre os seus seguidores e reacendeu o debate sobre os valores pagos aos artistas locais em grandes eventos culturais realizados em Cabo Delgado.

Outro nome conhecido da música de Cabo Delgado, Carlos de Lina, também tornou pública a sua insatisfação com a proposta que recebeu.Segundo uma publicação feita pelo músico no Facebook, o valor apresentado para a sua participação no Festival Wimbe seria duas vezes inferior ao que recebeu no ano passado.

Eu fui contactado para participar neste festival com a proposta de me pagarem duas vezes menos do que me pagaram no ano passado.

Carlos de Lina afirma que recusou a proposta, mas deixou aberta a possibilidade de participar caso recebesse, pelo menos, o mesmo valor pago na edição anterior.

Um outro artista local, Egfar Manuel Magangar também recorreu às redes sociais para manifestar a sua posição, escrevendo.Sei que não dependo de nada. Mas 10 mil com o trabalho que eu faço não bate.”

As declarações dos artistas colocam novamente no centro do debate a valorização dos profissionais da cultura em Cabo Delgado e a forma como são negociadas as suas actuações.

Internautas questionam ausência de Idrisse ID e Mendys

A polémica ganhou outra dimensão com a divulgação do cartaz oficial do Festival Wimbe 2026.

Nas redes sociais, internautas questionam a ausência de Idrisse ID e Mendys, dois artistas ligados à cidade de Pemba e que têm conquistado visibilidade junto do público local.

Mendys atravessa actualmente uma fase de forte exposição com a música “Outra Chance”, que tem recebido atenção dos apreciadores da música local. Idrisse ID, por sua vez, é apontado por muitos fãs como um dos artistas de destaque de Pemba, sobretudo pela sua escrita, interpretação e presença em palco.

A ausência dos dois nomes levou alguns internautas a questionarem os critérios utilizados para a selecção dos artistas que integram o cartaz.

E quanto aos artistas que vêm de fora?

Outra questão levantada nas redes sociais está relacionada com os artistas convidados de outras províncias.

O videomaker DJBranca questionou publicamente se o rapper 16 Cenas, que se deslocará de Maputo para actuar no Festival Wimbe, receberá igualmente 10 mil meticais.

A pergunta surgiu depois da revelação feita por Idrisse ID sobre o valor que lhe teria sido proposto.

16 Cenas e outros cantores ou músicos que vêm do sul também vão receber o mesmo cachê de 10 mil?”

Até ao momento, não há confirmação pública sobre o valor que será pago a 16 Cenas ou a outros artistas convidados de fora de Cabo Delgado.

Quem organiza e quem financia?

O Festival Wimbe é organizado pela Direcção Provincial de Cultura e Turismo de Cabo Delgado e conta, segundo a informação divulgada sobre o evento, com vários parceiros e patrocinadores, incluindo a Nautilus, Pemba Shopping, Casa Provincial da Cultura, Conselho Executivo Provincial de Cabo Delgado e outras entidades ligadas ao sector da cultura.

É precisamente esta estrutura institucional e empresarial associada ao evento que está a alimentar mais questionamentos.

Os internautas querem saber qual é o orçamento destinado ao festival, quanto está reservado para os artistas e quais são os critérios utilizados para definir os cachês.

A grande questão

A polémica não significa necessariamente que todos os artistas devam receber o mesmo valor. Factores como popularidade, duração da actuação, deslocação, produção, banda e outros custos podem justificar diferenças na remuneração.

No entanto, as declarações públicas dos músicos levantam uma questão que dificilmente pode ser ignorada: se o Festival Wimbe é um dos principais eventos culturais de Cabo Delgado, os artistas locais estão realmente a ser valorizados de forma proporcional ao seu trabalho e à dimensão do evento?

Há ainda outra pergunta que começa a ganhar força nas redes sociais: por que razão alguns artistas locais dizem receber propostas que consideram baixas, enquanto o festival mobiliza instituições públicas, empresas e outros parceiros?

Até ao momento, a organização do Festival Wimbe não apresentou publicamente esclarecimentos sobre os valores dos cachês mencionados pelos artistas nem sobre os critérios utilizados para a selecção do cartaz.

O debate está lançado: trata-se de falta de valorização dos artistas locais, de uma questão de negociação individual ou simplesmente de uma estratégia de gestão do orçamento do festival?

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