Moçambique integra um novo programa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), financiado pela Suécia em 6,9 milhões de euros, destinado a reforçar a resposta às crises alimentares e a resiliência das comunidades dependentes da agricultura.
De acordo com a Lusa, no País, a iniciativa vai beneficiar 9000 famílias de pequenos agricultores da província de Gaza, afectadas por secas e cheias recorrentes, através da distribuição de sementes adaptadas às condições climáticas e de formação em práticas agrícolas resilientes.
O financiamento foi aprovado pela Suécia, através da Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, e será canalizado para o Fundo Especial para Actividades de Emergência e Resiliência da FAO. A contribuição, correspondente a 75 milhões de coroas suecas, vai financiar acções entre Julho e Dezembro de 2026 em quatro contextos considerados prioritários: Moçambique, Afeganistão, Síria e Faixa de Gaza.
Do valor global, cerca de 5,5 milhões de euros serão destinados à resposta agrícola de emergência, enquanto aproximadamente 1,4 milhão de euros serão reservados para acções de antecipação de riscos. Em Moçambique, o apoio vai concentrar-se na recuperação da produção alimentar da principal campanha agrícola em zonas da província de Gaza classificadas na Fase 3 da Classificação Integrada da Segurança Alimentar.
Esta classificação, designada por “Crise”, corresponde a situações em que as famílias enfrentam dificuldades significativas no acesso aos alimentos ou apenas conseguem satisfazer as necessidades mínimas através de estratégias que podem comprometer os seus futuros meios de subsistência.
Segundo a FAO, os agricultores abrangidos vão receber kits de sementes adaptadas às condições climáticas e formação em agricultura inteligente face ao clima, com o objectivo de aumentar a capacidade de resposta às secas, cheias e outros fenómenos extremos.
A responsável acrescentou que a agricultura de emergência continua a desempenhar um papel central na protecção das populações afectadas pelas crises alimentares. “A agricultura de emergência é um pilar fundamental da segurança alimentar, e as evidências mostram que agir antecipadamente pode salvar vidas a uma fracção do custo de uma resposta tardia”, declarou.
De acordo com o Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026, citado pela FAO, cerca de 266 milhões de pessoas em 47 países enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda, quase o dobro do número registado em 2016. Deste total, 39 milhões de pessoas encontram-se em situação de emergência alimentar, enquanto cerca de 1,4 milhão enfrentam condições classificadas como catastróficas.
O financiamento destinado a Moçambique será canalizado através do Fundo Especial para Actividades de Emergência e Resiliência, criado para permitir à FAO mobilizar rapidamente recursos destinados à protecção dos meios de subsistência e à recuperação da produção agrícola em situações de crise.(DR)

