“Realizámos esta conferência para apresentar a realidade do Corredor de Nacala e partilhar informações detalhadas sobre o seu funcionamento. A partir desta quinta-feira, eu e algumas empresas japonesas deslocar-nos-emos ao Porto e ao Corredor de Nacala para conhecer, no terreno, a sua situação actual”, afirmou Hamada Keiji.
O diplomata sublinhou a importância de as empresas nipónicas conhecerem directamente o corredor, localizado na província de Nampula, no norte do País. Segundo explicou, este contacto permitirá uma melhor compreensão das oportunidades existentes e facilitará a identificação de áreas concretas para futuros investimentos.
“Acreditamos que o Corredor de Nacala e, em particular, o desenvolvimento do Porto de Nacala podem funcionar como uma porta de entrada para novos negócios e impulsionar o crescimento regional”, afirmou Hamada Keiji, acrescentando que cerca de 30 empresas japonesas, com mais de 100 participantes, estão em Moçambique com esse propósito.
Em Agosto de 2025, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, já havia destacado o papel estratégico do Corredor Logístico de Nacala, que liga Moçambique ao Maláui e à Zâmbia. Durante a 9.ª Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD9), defendeu o “enorme potencial” da infra-estrutura para dinamizar o comércio no continente africano.
Na mesma ocasião, Daniel Chapo apelou a um maior envolvimento do Japão no financiamento do projecto, sublinhando que esses investimentos são determinantes para o crescimento económico do País e da região. O chefe do Estado garantiu ainda que Moçambique está a implementar reformas com vista a assegurar “parcerias robustas” com o país asiático.
“A CTA reafirma o seu compromisso de trabalhar com o Governo na remoção dos constrangimentos ao investimento”
Álvaro Massingue
O encontro realizado em Maputo teve como principal objectivo fornecer informação detalhada às empresas japonesas sobre o potencial do corredor. A iniciativa procurou igualmente identificar oportunidades e projectos concretos de investimento, bem como promover o diálogo entre empresas moçambicanas, japonesas e o Governo.
Por sua vez, o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Álvaro Massingue, destacou o apoio do Japão, sublinhando a importância da transferência de conhecimento e da inovação tecnológica. “A CTA reafirma o seu compromisso de trabalhar com o Governo na remoção dos constrangimentos ao investimento”, afirmou Álvaro Massingue.
O Corredor de Nacala, em operação desde 2016, representa um investimento de 4,5 mil milhões de dólares, envolvendo a brasileira Vale, o conglomerado japonês Mitsui e a empresa pública Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique. O projecto integra um porto de águas profundas e uma linha férrea de 912 quilómetros, destinada ao escoamento de carvão da província de Tete.

