Pelo menos 531 pessoas, incluindo 204 crianças, foram obrigadas a abandonar as suas comunidades na sequência de ataques armados registados em agosto no distrito de Balama, na província de Cabo Delgado.
Os dados constam do mais recente relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM), através da sua ferramenta de monitorização de deslocamentos, divulgado esta semana.
Segundo a organização, os ataques registados no dia 22 de agosto de 2026 e o receio de novos episódios de violência provocaram a deslocação de 531 pessoas, correspondentes a 79 agregados familiares.
As famílias deslocaram-se para comunidades de acolhimento localizadas no Posto Administrativo de Mavala, abrangendo comunidades desde a aldeia de Messalo até Nseue B, na localidade de Mpaka.
A nova vaga de deslocações ocorre numa altura em que Balama volta a registar relatos de movimentação e ataques atribuídos a grupos insurgentes, aumentando o receio entre as comunidades locais.
Em algumas zonas, moradores abandonaram temporariamente as suas casas e actividades de subsistência devido ao medo de novas incursões. A situação é particularmente preocupante porque muitas famílias dependem da agricultura e da mineração artesanal para sobreviver.
Os ataques e a consequente deslocação de civis demonstram que, apesar das operações de segurança em curso, várias comunidades de Cabo Delgado continuam vulneráveis à violência e à instabilidade provocadas pela insurgência.
A província enfrenta há vários anos uma crise humanitária marcada por ataques armados, mortes, raptos e deslocações forçadas de milhares de pessoas. (DW com Lusa)

