A Associação Kuendeleya, organização da sociedade civil sediada em Pemba, província de Cabo Delgado, foi seleccionada como um dos cinco finalistas do Embassy Human Rights Tulip Award 2026, uma iniciativa que reconhece organizações e activistas envolvidos na promoção e defesa dos direitos humanos.
Criada na sequência dos impactos de um ciclone que afectou o norte de Moçambique em 2018 e 2019, a Kuendeleya começou por mobilizar voluntários e donativos para apoiar famílias afectadas pela destruição. Com o agravamento da insurgência armada em Cabo Delgado, alargou a sua intervenção à assistência às populações deslocadas pelo conflito, incluindo famílias que procuraram abrigo na praia do Paquite, em Pemba, depois de fugirem da violência.
Ao longo dos anos, a organização tem desenvolvido iniciativas nas áreas de assistência alimentar, educação comunitária, saúde, reconstrução de infra-estruturas, geração de rendimento e promoção da coesão social. Mais recentemente, passou também a envolver-se em acções de prevenção do extremismo violento, com enfoque na participação juvenil, cidadania, diálogo comunitário e construção da paz.
Segundo a apresentação divulgada pela organização responsável pelo prémio, caso vença a edição de 2026, a Kuendeleya pretende aplicar os 5.000 euros do prémio numa iniciativa de diálogo comunitário e inter-religioso em Cabo Delgado.
O projecto prevê reunir líderes comunitários e religiosos, jovens, mulheres e representantes de instituições públicas, com o objectivo de reforçar a confiança entre as comunidades, promover a tolerância e a convivência pacífica e capacitar os jovens para participarem na prevenção de conflitos e na defesa dos direitos humanos.
A Kuendeleya é o segundo dos cinco finalistas apresentados para esta edição, depois da divulgação da candidatura de Quitéria Guirengane. O vencedor será anunciado em Dezembro, no âmbito das celebrações do Dia Internacional dos Direitos Humanos, assinalado a 10 de Dezembro.
A nomeação coloca em destaque o trabalho desenvolvido por organizações locais que procuram responder às consequências humanitárias do conflito em Cabo Delgado e fortalecer mecanismos comunitários de prevenção da violência e promoção da paz. (Moz24h)

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