O presidente do partido PODEMOS, Albino Forquilha, considera que a vitória eleitoral não confere a uma força política a confiança de toda a população, mas representa uma responsabilidade de governar de forma inclusiva e respeitar os direitos de todos os cidadãos, independentemente das suas preferências partidárias.
A posição foi defendida durante a conferência anual sobre Democracia e Eleições, organizada pela Plataforma DECIDE, que reuniu diferentes intervenientes da política moçambicana para reflectir sobre os desafios da representação política e da democracia no país, segundo noticiou a Integrity Magazine.
Na sua intervenção, Forquilha explicou que os partidos políticos representam inicialmente segmentos da sociedade que se identificam com as suas doutrinas, propostas e valores. Os cidadãos aderem a essas formações porque acreditam que a sua visão política poderá contribuir para a defesa dos seus direitos e para a resolução dos problemas que enfrentam.
“Os partidos políticos, a sua constituição, ela representa uma franja da população, e esta população que chamamos de membros, vai aderindo ao partido pela causa apresentada, pela doutrina que o partido pretende seguir e pelos valores que vai defender”, afirmou, citado pela Integrity Magazine.
Para o líder do PODEMOS, a legitimidade de um partido depende também da confiança que consegue conquistar junto dos cidadãos que se revêem nas suas propostas. Contudo, essa representação inicial deve transformar-se numa governação capaz de responder às necessidades da população em geral quando a força política chega ao poder.
Segundo Forquilha, vencer eleições não deve ser entendido apenas como uma oportunidade para ocupar posições políticas, mas como um compromisso de implementar políticas públicas que respeitem os direitos civis, políticos, económicos e sociais dos moçambicanos.
O dirigente defendeu que os cidadãos que apoiam um partido fazem-no com a expectativa de que este consiga melhorar as suas condições de vida. Por isso, uma vez no poder, a formação política deve procurar concretizar as suas promessas através de medidas que beneficiem a sociedade de forma abrangente.
“Quando este partido consegue assumir o poder, se o partido quer disputar o espaço para implementar a visão que tem de governação do país, essa visão se concentra definitivamente na maneira como o partido pretende respeitar os direitos civis da população. As pessoas que aderem ao partido, elas têm expectativa de que esse partido vai resolver os seus problemas”, sublinhou.
Forquilha destacou ainda que a vitória nas urnas não significa que todos os cidadãos apoiem o partido vencedor. O resultado eleitoral traduz a escolha da maioria, mas não elimina a existência de outras sensibilidades políticas, nem dispensa o dever de governar para todos.
“Ganhar as eleições não significa ter 100% da crença populacional de um país. Quer dizer que a maioria me escolheu, acredita que eu resolvo os problemas, e na resolução destes problemas eu devo representar o povo na sua totalidade”, declarou, de acordo com a Integrity Magazine.
A reflexão do presidente do PODEMOS coloca no centro do debate democrático a responsabilidade dos partidos que chegam ao poder: garantir que as políticas públicas não se limitem aos interesses dos seus apoiantes, mas respeitem igualmente os direitos e as expectativas dos cidadãos que votaram noutras forças políticas ou que não participaram no processo eleitoral.
No encerramento da sua intervenção, Forquilha defendeu a necessidade de um debate nacional sobre o grau de compromisso dos partidos vencedores com os direitos cívicos, políticos, económicos e socioculturais de toda a população.
A posição surge num contexto em que a qualidade da representação política, a confiança nas instituições e a inclusão dos cidadãos continuam a ser questões centrais para o aprofundamento da democracia em Moçambique. Fonte: Integrity Magazine.

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