Moradores do bairro de Nanhimbe, na cidade de Pemba, em Cabo Delgado, denunciam o que consideram ser um atentado à saúde pública nas imediações de uma das principais padarias daquela zona, onde alegadamente águas negras e resíduos provenientes de instalações sanitárias têm sido despejados junto ao passeio e próximo do local onde é vendido pão e outros produtos alimentares.
Segundo os moradores, o problema não é recente. A situação terá sido comunicada às autoridades locais, incluindo ao secretário do bairro, ao Conselho Municipal de Pemba e a outras estruturas governamentais, depois de os residentes constatarem a presença recorrente de águas de cor escura e resíduos no exterior do estabelecimento.
“Em frente à padaria havia um detrito que vinha da casa de banho e espalhava-se por aqui”, relatou um dos moradores, acrescentando que a situação já teria sido alvo de uma intervenção das autoridades de saúde.
De acordo com os residentes, uma equipa de inspecção provincial esteve no local no mês passado, entrou no estabelecimento e constatou as condições denunciadas. Os moradores dizem ter acreditado que, depois da intervenção, a situação seria corrigida.
Contudo, afirmam que o problema voltou a ocorrer e que as águas negras continuam a aparecer junto ao passeio, numa zona frequentada diariamente por pessoas que procuram pão e outros produtos alimentares.
“Hoje estamos a deparar com a mesma situação”, disse uma fonte local, apontando para a área onde, segundo os moradores, os resíduos voltaram a acumular-se.
A preocupação aumenta pelo facto de se tratar de uma padaria frequentada diariamente por milhares de pessoas, segundo os residentes, incluindo crianças que atravessam a zona descalças.
“Os nossos filhos não têm condições, andam descalços e, quando os mandamos à padaria, podem pisar aquilo. Nós próprios também estamos a pisar e podemos levar doenças da padaria para as nossas casas”, lamentou um dos moradores.
Os denunciantes afirmam ainda que o problema ocorre junto ao próprio ponto de venda do pão, o que, na sua perspectiva, agrava os riscos sanitários por envolver um estabelecimento que manipula e comercializa produtos destinados ao consumo humano.
Os moradores dizem possuir fotografias que documentam a situação e defendem que as evidências podem ser apresentadas às autoridades competentes para averiguação.
A denúncia terá também chegado ao secretário do bairro, que, segundo os residentes, já se deslocou ao local e falou com os responsáveis. Apesar disso, os moradores dizem que a situação persiste.
A identidade exacta do proprietário da padaria não foi esclarecida pelos moradores contactados. Uma das pessoas ouvidas identificou um homem chamado Orlando como responsável pelo estabelecimento, mas afirmou que este seria inquilino do imóvel.
O Moz24h está a tentar ouvir o responsável pela padaria, bem como as autoridades municipais e sanitárias, para esclarecer a origem das águas denunciadas, saber que medidas foram tomadas após a alegada inspecção realizada no mês passado e apurar se o estabelecimento cumpre as condições sanitárias exigidas para a produção e venda de alimentos.
Enquanto isso, os moradores apelam às autoridades competentes para que realizem uma nova inspecção ao local e determinem a origem dos resíduos, sobretudo por se tratar de uma zona onde diariamente são produzidos e comercializados alimentos destinados à população. (Moz24h)

Leave feedback about this