Por Edwin Hounnou
Estácio Valoi (EV) é jornalista investigativo, com sede em Pemba, vive momentos difíceis de violação dos seus direitos. O Ministério Público de Pemba mandou confiscar os seus instrumentos de trabalho como computadores e telefones celulares.
O jornalista foi notificado pelo Ministério Público para colocar os códigos ao alcance das autoridades judiciais, o que lhes permitir aceder o que EV anda a escrever. O que o tribunal faz contra EV é intimidação.
A gente do regime tem medo das denúncias que o jornalista vem fazendo. Querem silenciá-lo.
Por quê eles temem do que EV vem escrevendo nas suas notícias? – É devido às verdades que ele tem estampado nas suas escritas. Há muitas denúncias sobre o abate ilegal de madeira em quase toda a província de Cabo Delgado desde os tempos longínquos pelas elites do partido Frelimo.
As empresas de corte e exportação de madeira abundam em toda a extensão de Cabo Delgado, em todas elas estão associadas às elites do partido no poder. Viram que com o mandato judicial poderia intimidar EV. Socorrem-se do judiciário a fim de parar com as denúncias sobre os desmandos que protagonizam.
O caso que envolve magistrados do Ministério Público através do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Pemba e o jornalista investigativo EV não coloca apenas em causa os direitos individuais de um profissional da comunicação social.
Isso põe em causa o trabalho jornalístico para além de ser um teste à capacidade de resposta da classe jornalística perante situações que afectam o exercício da profissão e a liberdade de imprensa, no país. É um teste à capacidade de resposta da classe jornalística. Cabo Delgado tem um historial muito mau de como tem lidado com jornalistas.
Foi na província de Cabo Delgado que desapareceram os jornalistas Faduco Mbaruco (7 de Abril de 2020, em Palma) e Arlindo (7 de Janeiro de 2025, em Silva Makua), cercado e arrastado por homens fardados à polícia. Qualquer tentativa de ameaça a jornalistas, tem que e levar em conta os assassinatos ocorridos.
Os dois jornalistas incomodavam os bandidos que se servem do poder público e decidiram eliminá-los. A história de EV segue a mesma lógica. Confiscaram-lhe os seus instrumentos de trabalho, forçaram-no a descodificar os segredos de protecção dos seus computadores. Há-de se ouvir dizer que desapareceu.
É muito importante e urgente que o Ministério Público e o SERNIC (Serviço Nacional de Investigação Criminal) sejam denunciados sem mais delongas antes que o pior aconteça. A classe jornalística é chamada a denunciar o modus operandi do Ministério Público e do SERNIC antes de o fazerem desaparecer.
Amanhã pode ser tarde demais porque é em Cabo Delgado onde se ficam enterradas as vozes que incomodam e a voz de EV incomoda muita gente que está ficando podre de dinheiro sem causa, ou seja, pilhando os recursos nacionais, designadamente, os recursos florestais pesqueiros e fauna bravia.
A decisão de mandar desbloquear os seus instrumentos de trabalho é violação muito grave, põe em causa matérias sensíveis como a protecção a jornalistas e suas fontes de notícia que nunca devem ser conhecidas sem o seu consentimento, o sigilo profissional e a liberdade de expressão e de imprensa.
É urgente que as organizações de protecção aos jornalistas se levantem contra esta violação. O silêncio permitirá que a intimidação se generalize. O MISA e outros que levantem a voz contra o Ministério Público e SERNIC por esta grave violação.
Por esta maneira de trabalhar das instâncias judiciais, militares e polícia, trabalhar em Cabo Delgado representa um grave risco. Quando se vai de missão a nesta província, o jornalista pensa nos riscos que representa trabalhar em Cabo Delgado.
A pena de EV incomoda a corruptos, bandidos, traficantes de pedras preciosas e madeira. Intimida aqueles que se querem enriquecer sem causa, à custa do suor e sangue do povo. Deixem o jornalista trabalhar em paz! Não lhe sufoquem a voz!
NOTA : Esta peça foi publicada no Canal de Moçambique de 8 de Julho de 2026.

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