Durante uma visita de trabalho à sede da Comissão Africana de Energia, Margarida Talapa afirmou que a Argélia deve servir de exemplo para os países africanos no processo de transformação local dos recursos energéticos, permitindo que os benefícios cheguem directamente às populações.
“O petróleo e o gás da Argélia não saem em bruto. São refinados localmente e distribuídos em benefício das populações argelinas. Penso que essa deve ser a nossa escola para os países africanos”, declarou a dirigente moçambicana.
Segundo a responsável, os Parlamentos e os Governos africanos têm a responsabilidade de criar condições para o estabelecimento de parcerias com países que possuem experiência no sector da refinação e transformação de recursos naturais.
“Aí está a responsabilidade dos Parlamentos e dos Governos: criar condições para parcerias com países que têm esta experiência, montar refinarias e garantir que os produtos que temos possam gerar riqueza para os africanos nos seus próprios países”, acrescentou.
A presidente do Parlamento considerou ainda que este é o momento de os países africanos, incluindo Moçambique, investirem na construção de refinarias e na capacitação de recursos humanos, com vista a melhorar a gestão e valorização dos recursos naturais existentes no continente.
“Os nossos países são ricos em recursos petrolíferos, gás e minerais. Este é o momento de começarmos a reflectir sobre estratégias para o desenvolvimento dos nossos países. Esse é um dos objectivos da nossa presença na Argélia”, afirmou Margarida Talapa.
Moçambique possui actualmente três megaprojectos aprovados para a exploração de gás natural na bacia do Rovuma, ao largo da costa de Cabo Delgado. Entre eles destaca-se o projecto da TotalEnergies, com capacidade de produção de 13 milhões de toneladas anuais, que se encontra em fase de retoma após a suspensão provocada pelos ataques extremistas naquela província.
O País conta igualmente com o projecto da ExxonMobil, estimado em 18 milhões de toneladas anuais e ainda a aguardar a decisão final de investimento. Ambos os projectos estão localizados na península de Afungi.
Em águas ultraprofundas da mesma bacia, a Área 4, liderada pela Eni, opera desde 2022 a unidade flutuante Coral Sul e prepara o arranque da Coral Norte, previsto para 2028.(DR)

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