Economia

Barragem moçambicana de Cahora Bassa com lucros apesar de ano de seca

A Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), no centro de Moçambique e das maiores barragens africanas, registou lucros de 95,5 milhões de euros em 2025, apesar de ter enfrentado “uma das secas mais severas” na região, foi hoje anunciado.

© Lusa

De acordo com informação da HCB enviada à Lusa, os dados constam das contas de empresa, aprovadas em 30 de abril em assembleia-geral. Destaca-se a produção por aquela barragem, em 2025, de 10.921 GigaWatts-hora (GWh) de eletricidade, um forte recuo (-30%) face a 2024, mas garantindo “a segurança energética do país e da região, mesmo em ambiente de crise hidrológica”.

“[Um] contexto marcado por uma das secas mais severas das últimas décadas na bacia do Zambeze, que condicionou os níveis de armazenamento da albufeira e, consequentemente, o plano de produção energética”, justifica a empresa.

Mesmo neste cenário, acrescenta, a HCB “assegurou o cumprimento dos seus compromissos comerciais, tanto no mercado nacional como na região da África austral”, mantendo o fornecimento de energia à Eletricidade de Moçambique (EDM), à Electricity Supply Commission da África do Sul (Eskom), à Zimbabwe Electricity Supply Authority (ZESA) e aos mercados da Southern Africa Power Pool (SAPP).

Desta forma, foi garantida “a segurança energética do país e da região num contexto de restrições hidrológicas”.

A HCB é uma sociedade anónima de direito privado, detida em 85% pela estatal Companhia Elétrica do Zambeze e em 7,5% pela portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN). A empresa possui 3,5% de ações próprias, enquanto os restantes 4% estão nas mãos de cidadãos, empresas e instituições moçambicanas.

A albufeira de Cahora Bassa é a quarta maior de África, com uma extensão máxima de 270 quilómetros em comprimento e 30 quilómetros entre margens, ocupando 2.700 quilómetros quadrados e uma profundidade média de 26 metros.

Conta com quase 800 trabalhadores e é uma das maiores produtoras de eletricidade na região austral africana, abastecendo os países vizinhos.

Em 2025, acrescenta a informação divulgada hoje, a HCB alcançou receitas na ordem de 344 milhões de dólares (293,2 milhões de euros) e um resultado líquido de 112 milhões de dólares (95,5 milhões de euros), “o que reflete uma gestão prudente dos recursos hídricos e financeiros”.

“No mesmo ano de 2025, a empresa contribuiu com cerca de 300 milhões de dólares norte-americanos [255,7 milhões de euros] para o Estado moçambicano, por meio de impostos, taxas e dividendos, reforçando o seu papel como ativo estratégico para a economia nacional e para a estabilidade energética do país”, disse o presidente do conselho de administração da HCB, Tomás Matola, citado na informação.

“A exportação de energia” pela HCB, acrescentou, “continuou a desempenhar um papel relevante na geração de divisas, contribuindo para a robustez da balança de pagamentos do país”.

Antes, em 2024, a HCB tinha registado lucros de 14,1 mil milhões de meticais (195,7 milhões de euros), que foi então um crescimento de quase 8,5% face a 2023, “sendo o maior da história” da empresa e o “corolário combinado” da produção total gerada no ano passado, de 15.753,52 GWh, e do ajustamento da tarifa de venda de energia ao estrangeiro”, foi anunciado na altura.

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