Economia

Sector do Gás Exige “Maior Preparação” Das Empresas Nacionais, Avisa Vice-Presidente da Câmara de Energia

Texto: Florença Nhabinde

 

 

A vice-presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Anicha Abdul, alertou que as empresas nacionais precisam de alinhar as suas capacidades com a realidade do mercado para conseguirem aproveitar as oportunidades no sector do gás. Segundo explicou, o acesso directo a grandes contratos é limitado e altamente competitivo, exigindo maior preparação por parte dos empresários.

Anicha Abdul falava esta terça-feira (24), durante um evento subordinado ao tema “As mulheres na economia do gás natural liquefeito (GNL) em Moçambique”, organizado pela Lionesses of Africa, uma plataforma internacional de apoio ao empreendedorismo feminino, em parceria com o Standard Bank Moçambique. O encontro reuniu empresárias e especialistas para debater os principais desafios e oportunidades do sector.

Durante a sua intervenção, a responsável destacou que muitos empresários continuam concentrados nos mesmos projectos e nas grandes multinacionais, ignorando outras possibilidades dentro da cadeia de valor. “Todos queremos trabalhar com empresas como a ExxonMobil, a TotalEnergies ou a Eni, mas é importante perceber que a cadeia de valor do gás é muito mais ampla e oferece várias oportunidades”, afirmou Anicha Abdul.

A dirigente explicou ainda que a criação de empresas sem preparação adequada tem dificultado a entrada no mercado. Segundo disse, as grandes companhias exigem elevados padrões de conformidade. “Estas empresas não aceitam sequer propostas sem certificação ISO e exigem demonstrações financeiras dos últimos três anos, o que constitui uma barreira para muitas empresas nacionais”, esclareceu.

Para além disso, Anicha Abdul sublinhou que as melhores oportunidades nem sempre são divulgadas publicamente, exigindo uma postura mais activa por parte dos empresários. “Muitas oportunidades não são anunciadas. É preciso observar o mercado, fazer perguntas e identificar problemas concretos que possam ser resolvidos”, explicou.

 

No que diz respeito à conformidade, a responsável reforçou a importância da organização interna e do cumprimento de normas. “A certificação ISO é, neste momento, fundamental. As empresas internacionais procuram parceiros com processos bem definidos, organização e fiabilidade”, afirmou.

Contudo, reconheceu que nem todas as empresas têm capacidade financeira para obter certificações formais. Como alternativa, recomendou maior organização e investimento em capacitação. “Mesmo sem certificação, é importante organizar bem os documentos e procurar formação, consultores ou parceiros com experiência”, aconselhou Anicha Abdul.

A vice-presidente destacou igualmente a importância de olhar para os níveis intermédios e inferiores da cadeia de valor, onde se concentra grande parte das oportunidades. “O trabalho raramente está directamente nas grandes multinacionais. Elas subcontratam outras empresas, e é nesses níveis que existem mais oportunidades para os empresários locais”, explicou.

Por sua vez, Márcia Karin, directora da Banca Comercial e de Negócios do Standard Bank Moçambique, reforçou a importância do acesso à informação e do estabelecimento de contactos. A responsável defendeu uma maior ligação entre empresários e instituições. “Conhecer as pessoas certas, as empresas certas e ter acesso à informação no momento certo é fundamental para o sucesso neste sector”, concluiu.(DR)

 

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