Economia

Tete: Governo Prevê Produção de 3,5 Milhões de Toneladas de Carvão e 9500 Empregos no Novo Projecto de Revuboè

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou, nesta sexta-feira (13), que o Governo espera uma produção anual de 3,5 milhões de toneladas de carvão no arranque do novo projecto de exploração mineira de Revuboè, no centro do País, gerando 9500 empregos.

Ao intervir no lançamento do Projecto Mineiro de Revuboè de extracção de carvão mineral, no distrito de Moatize, província de Tete, centro do País, Chapo adiantou que esta iniciativa, com a empresa indiana Jindal Steel & Power como novo accionista, prevê, na primeira fase, que arranca em 2028, uma produção inicial de 3,5 milhões de toneladas de carvão por ano, sendo que, na segunda, em 2032, estima produzir 7 milhões de toneladas anuais, além da criação de cerca de 1500 empregos directos e de 8 mil empregos indirectos.

Segundo Chapo, prevê-se que o projecto tenha até 35 anos de vida útil, indicando que a expectativa é contribuir para as receitas do Estado e para a “optimização da utilização das infra-estruturas logísticas nacionais, incluindo as linhas ferroviárias da Beira e de Nacala, reforçando o papel estratégico destes corredores de desenvolvimento”.

Além da vila de reassentamento, o projecto inclui a construção de uma ponte ligando a mina à Estrada Nacional 7 e uma plataforma logística de depósito de carvão para escoar para o porto da Beira, província de Sofala, além da construção de cais para atracar navios naquela região.

Daniel Chapo disse que o carvão extraído em Revúboè será processado e transformado localmente: “Por décadas, Moçambique exportou matérias-primas em bruto, deixando para outros países o valor acrescentado do processamento industrial. Esse paradigma tem de ser mudado. E com Revúboè, começamos a mudar”.

O governante sublinhou que o carvão a ser explorado será maioritariamente utilizado nas unidades industriais da própria empresa para a produção de aço e de ferro na Índia, indicando que Moçambique quer ser um parceiro industrializado e confiável, que deixa de ser apenas fornecedor de matérias-primas.

O chefe do Estado destacou que quer as pequenas e médias empresas (PME) a prestarem serviços a projectos de exploração de recursos minerais: “É importante que os projectos percebam que existem pequenas, médias e micro empresas locais, que é extremamente importante prestarem serviços a essas iniciativas, porque isto permite gerar emprego para a juventude, rendas para as famílias e também pagamento de impostos”.

O PR quer a Jindal a explorar ferro em Tete para, em seguida, fundi-lo localmente e vender ao mundo.

A empresa indiana Vulcan também explora no mesmo distrito uma área de 250 quilómetros quadrados de extracção de carvão.

Além da vila de reassentamento, o projecto inclui a construção de uma ponte ligando a mina à Estrada Nacional 7 e uma plataforma logística de depósito de carvão para escoar para o porto da Beira, província de Sofala, além da construção de cais para atracar navios naquela região

Para Chapo, com a entrada em operação da mina, Moçambique fortalece a sua posição como um dos grandes produtores de carvão na África e no mundo. “O nosso desafio histórico como moçambicanos tem sido transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano mensurável, isto é, em estradas, em escolas, em centros de saúde, em mais livros gratuitos, em mais medicamentos, em mais energia, em mais água, portanto, na melhoria das condições de vida do nosso povo”, salientou.

Segundo disse, vai recusar que oportunidades geradas por este empreendimento “passem ao lado das comunidades” locais e das empresas nacionais, defendendo que devem ser “alavancas de desenvolvimento”.

“Sabemos que a mineração, quando mal gerida, pode gerar divisão, conflito ambiental e ressentimento entre as populações locais. Por isso, exigimos que este projecto seja implementado segundo os mais elevados padrões de responsabilidade social e ambiental e vamos monitorizar”, prometeu.

“Tete deve deixar de ser uma referência de conflitos entre empresas e comunidades, ou entre empregadores e trabalhadores. Todos devemos sair a ganhar, cada um deve sentir que a exploração dos recursos minerais estratégicos não só produz lucros para as empresas, como também traz benefícios para as comunidades”, concluiu.

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