Por 𝗚𝗮𝗹𝗵𝗮𝗿𝗱𝗼 𝗩𝗮𝘇 𝗡𝗲𝗴𝗿𝗼, 𝗔𝗰𝘁𝗶𝘃𝗶𝘀𝘁𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝗹 𝗲 𝗲𝘀𝗰𝗿𝗶𝘁𝗼𝗿
Sua Excelência Daniel Francisco Chapo
Presidente da República de Moçambique
Excelência,
Vi a sua entrevista à RTP, em Portugal, na qual criticou o Estado guineense pela detenção do líder da oposição, Domingos Simões Pereira. Na sua intervenção, Vossa Excelência afirmou que o caso da Guiné-Bissau constitui um desafio para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e que esta deve continuar a trabalhar para resolver a actual questão política o mais rapidamente possível. Defendeu ainda que a CPLP deve analisar a situação e definir o trabalho a desenvolver, de modo a encontrar uma solução, sustentando que não se pode continuar a viver uma situação semelhante na Guiné-Bissau.
Excelência Daniel Chapo, como é possível criticar a Guiné-Bissau quando, em Moçambique, país de que é Presidente, se faz o pior: 𝗽𝗲𝗿𝘀𝗲𝗴𝘂𝗲𝗺-𝘀𝗲, 𝘀𝗶𝗹𝗲𝗻𝗰𝗶𝗮𝗺-𝘀𝗲 𝗲 𝗽𝗿𝗲𝗻𝗱𝗲𝗺-𝘀𝗲 𝗺𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼𝘀 𝗱𝗮 𝗼𝗽𝗼𝘀𝗶çã𝗼 𝗲 𝘁𝗼𝗱𝗼𝘀 𝗮𝗾𝘂𝗲𝗹𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗽𝗲𝗻𝘀𝗮𝗺 𝗱𝗲 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮 𝗱𝗶𝗳𝗲𝗿𝗲𝗻𝘁𝗲?
𝗔𝗱𝗲𝗺𝗮𝗶𝘀, 𝗲𝗺 𝗠𝗼ç𝗮𝗺𝗯𝗶𝗾𝘂𝗲 𝗮𝘀𝘀𝗮𝘀𝘀𝗶𝗻𝗮𝗺-𝘀𝗲 𝗺𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼𝘀 𝗱𝗮 𝗼𝗽𝗼𝘀𝗶çã𝗼. 𝗤𝘂𝗮𝗻𝘁𝗼𝘀 𝗺𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼𝘀 𝗱𝗮 𝗼𝗽𝗼𝘀𝗶çã𝗼 𝗳𝗼𝗿𝗮𝗺 𝗮𝘀𝘀𝗮𝘀𝘀𝗶𝗻𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗮𝗽ó𝘀 𝗮 𝘀𝘂𝗮 𝘁𝗼𝗺𝗮𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗽𝗼𝘀𝘀𝗲?
𝗔𝗹𝗶á𝘀, 𝗱𝗲𝘀𝗱𝗲 𝗼 𝗱𝗶𝗮 𝗱𝗮 𝘀𝘂𝗮 𝘁𝗼𝗺𝗮𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗽𝗼𝘀𝘀𝗲, 𝗺𝗼ç𝗮𝗺𝗯𝗶𝗰𝗮𝗻𝗼𝘀 𝘁ê𝗺 𝘀𝗶𝗱𝗼 𝗺𝗮𝘀𝘀𝗮𝗰𝗿𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗽𝗼𝗿 𝗻ã𝗼 𝗼 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗲𝗿𝗲𝗺 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗣𝗿𝗲𝘀𝗶𝗱𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗹𝗲𝗴í𝘁𝗶𝗺𝗼.
𝗔𝗶𝗻𝗱𝗮, 𝗻𝘂𝗺 𝗱𝗼𝘀 𝘀𝗲𝘂𝘀 𝗱𝗶𝘀𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼𝘀 𝗲𝗺 𝗖𝗮𝗯𝗼 𝗗𝗲𝗹𝗴𝗮𝗱𝗼, 𝗩𝗼𝘀𝘀𝗮 𝗘𝘅𝗰𝗲𝗹ê𝗻𝗰𝗶𝗮 𝘁𝗲𝘃𝗲 𝗮 𝗰𝗼𝗿𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗱𝗲 𝗮𝗳𝗶𝗿𝗺𝗮𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝘀𝗲 𝗶𝗿𝗶𝗮 𝗷𝗼𝗿𝗿𝗮𝗿 𝘀𝗮𝗻𝗴𝘂𝗲 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘁𝗿𝗮𝘃𝗮𝗿 𝗮𝘀 𝗺𝗮𝗻𝗶𝗳𝗲𝘀𝘁𝗮çõ𝗲𝘀. 𝗖𝗼𝗺𝗼 é 𝗽𝗼𝘀𝘀í𝘃𝗲𝗹 𝗰𝗿𝗶𝘁𝗶𝗰𝗮𝗿, 𝗰𝗼𝗻𝗱𝗲𝗻𝗮𝗿 𝗼𝘂 𝗿𝗲𝗽𝘂𝗱𝗶𝗮𝗿 𝗮𝘀 𝗮𝗰çõ𝗲𝘀 𝗱𝗼 𝗽𝗮í𝘀 𝘃𝗶𝘇𝗶𝗻𝗵𝗼 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝘀𝗲 𝗳𝗮𝘇 𝗼 𝗽𝗶𝗼𝗿 𝗻𝗼 𝘀𝗲𝘂 𝗽𝗿ó𝗽𝗿𝗶𝗼 𝗽𝗮í𝘀?
Antes de apontar o dedo à Guiné-Bissau, seria importante olhar para a realidade moçambicana. A coerência política exige que os princípios defendidos para os outros sejam também aplicados em casa. Não é credível condenar a repressão, a perseguição e a limitação das liberdades noutros países quando, em Moçambique, essas práticas continuam a marcar a vida política nacional.

