Por Quinton Nicuete
Pelo menos 26 membros do grupo tradicional Namparama terão sido mortos durante confrontos com insurgentes armados na aldeia Messanja, no Posto Administrativo de Katapua, distrito de Chiúre, sul da província de Cabo Delgado, aumentando o clima de medo e insegurança naquela região.
A informação foi avançada por uma publicação atribuída à agência de propaganda do autoproclamado Estado Islâmico, Amaq Agency News, que reivindica o ataque ocorrido no domingo nas matas de Messanja. Segundo a publicação, além das mortes, vários integrantes do grupo ficaram feridos durante os combates.
Os insurgentes terão ainda incendiado cerca de 30 residências e uma igreja, facto que provocou nova fuga da população para zonas consideradas mais seguras.
Fontes locais ouvidas pelo Moz24h, na vila sede de Chiúre, confirmaram a ocorrência do ataque terrorista na madrugada de domingo, embora sem validar oficialmente o número de mortos divulgado pelos insurgentes.
Segundo as mesmas fontes, após a invasão da aldeia, membros do grupo Namparama saíram em perseguição aos atacantes, culminando com confrontos nas matas próximas da comunidade.
Um integrante do grupo confirmou a ocorrência de troca de tiros e combate directo entre os Namparamas e os insurgentes, mas recusou-se a avançar detalhes sobre o número de vítimas.
Uma fonte das Forças de Defesa e Segurança confirmou igualmente o ataque, sob anonimato, referindo apenas que operações de perseguição aos grupos armados continuam em curso naquela região de Katapua.
Entretanto, o ambiente permanece tenso nas comunidades afectadas. Além da aldeia Messanja, há relatos da circulação de grupos armados nas aldeias Tatua e Matiquiti, também localizadas no Posto Administrativo de Katapua.
O ataque voltou a provocar deslocamentos da população e interrupção parcial das actividades locais.
Informações apuradas pelo Moz24h indicam ainda que o chefe do Posto Administrativo de Katapua abandonou temporariamente a região após alegadas ameaças feitas por membros do grupo Namparama, num contexto de tensão relacionado com pedidos de reforço militar para a zona.
Contactada pelo Moz24h, em Pemba, à margem de um encontro público, a administradora do distrito de Chiúre, Isaura Máquina, confirmou a ocorrência do ataque terrorista, mas não avançou detalhes sobre o número de vítimas nem sobre os danos provocados.
Apesar da situação, a dirigente afirmou que a população continua a desenvolver normalmente as suas actividades e apelou à vigilância comunitária face a qualquer movimentação suspeita.
Este não é o primeiro confronto entre insurgentes e membros do grupo Namparama em Cabo Delgado. Em anteriores incursões armadas registadas em Chiúre e noutras regiões da província, dezenas de integrantes desta milícia tradicional perderam a vida em confrontos directos com grupos armados.
Os Namparamas são grupos de autodefesa organizados em algumas comunidades do norte de Moçambique e actuam frequentemente armados com catanas, flechas e instrumentos artesanais na tentativa de travar o avanço insurgente. (Moz24h)

