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TERRORISMO E GENOCÍDIO ISRAELITA:

 

Quando o Padrinho é Washington e a ONU faz Vista Grossa, Ouvidos de Mercador e se Transforma em Caixa Barata de Ressonância do Cinismo

Por Tiago J.B. Paqueliua

 

Resumo

O presente ensaio analisa a violência sistemática exercida pelo Estado de Israel sobre a Palestina, destacando o genocídio em curso na Faixa de Gaza e a blindagem político-militar proporcionada pelos Estados Unidos da América. A análise recorre a categorias jurídicas do Direito Internacional (Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, 1948; Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, 1998) e à prática das Nações Unidas, sublinhando a sua seletividade e impotência. O texto denuncia ainda a ingerência norte-americana na soberania judicial de países como o Brasil e a manipulação geopolítica sobre Estados africanos e asiáticos, para absorver refugiados palestinianos ou indivíduos rotulados de criminosos. Conclui-se que a ONU e o TPI se encontram capturados por interesses hegemónicos, convertendo-se em instrumentos de cinismo político e jurídico.

Palavras-chave: Palestina; Israel; Genocídio; Terrorismo de Estado; Direito Internacional; ONU; EUA; Imperialismo.

Introdução

O conflito israelo-palestiniano tornou-se o mais flagrante exemplo contemporâneo de impunidade internacional. Na Faixa de Gaza, Israel perpetra crimes de guerra e actos de genocídio, à luz do artigo II da Convenção de 1948, com a complacência e cobertura estratégica dos Estados Unidos da América (EUA).

A Organização das Nações Unidas (ONU), criada para assegurar paz e justiça internacionais, encontra-se reduzida a palco de discursos diplomáticos inconsequentes, enquanto o Tribunal Penal Internacional (TPI) aplica a justiça de forma desigual e seletiva. O caso israelita coloca em causa a universalidade do direito internacional e expõe a sua captura por interesses geopolíticos.

O cinismo norte-americano e a blindagem de Netanyahu

Benjamin Netanyahu permanece politicamente intocável. Apesar das acusações internas de corrupção e das evidências de crimes contra a humanidade, nenhum mecanismo internacional ousa responsabilizá-lo, sob pena de ser acusado de “antissemitismo”.

Este expediente linguístico-político visa silenciar críticas legítimas a práticas coloniais, genocidas e expansionistas. Paradoxalmente, a mesma comunidade internacional que protege Netanyahu não hesitou em invadir o Iraque, executar Saddam Hussein, destruir a Líbia e assassinar Muammar Kadafi.

Trata-se, pois, de uma justiça de dois pesos e duas medidas: os líderes africanos e árabes são sumariamente julgados, enquanto os protegidos de Washington permanecem acima da lei.

A ingerência norte-americana e a soberania em xeque

O imperialismo jurídico dos EUA manifesta-se também noutros contextos. A ingerência na soberania da justiça brasileira é paradigmática: Washington pretende ditar processos, influenciar investigações e condicionar a independência judicial de um Estado soberano.

A situação coloca uma questão fundamental: a quem obedecem os bancos e instituições financeiras internacionais — ao ordenamento jurídico soberano de cada país ou às ordens de Washington? Esta subordinação financeira e judicial demonstra que o poder americano não se limita ao campo militar, mas estende-se às estruturas de soberania económica e política.

O assédio a países vulneráveis e a manipulação geopolítica

Em paralelo, os EUA exercem pressão sobre países frágeis para deslocar responsabilidades humanitárias. Estados como Sudão do Sul, Somalilândia, Etiópia, Líbia e Indonésia são pressionados a acolher refugiados palestinianos, permitindo que Israel consolide a ocupação de territórios palestinianos.

Do mesmo modo, Eswatini, Gana e a própria Etiópia são alvo de assédio para receber indivíduos considerados “criminosos” pela justiça americana, em troca de compensações financeiras simbólicas. Aqui, a cooperação internacional transforma-se em moeda de troca e o direito internacional em instrumento de manipulação geopolítica.

O silêncio cúmplice da ONU e a falência do direito internacional

O secretário-geral António Guterres encarna esta contradição: apesar de discursos contundentes, a ONU continua incapaz de travar os crimes israelitas. Se se tratasse de um ditador africano, já haveria forças multinacionais no terreno, um tribunal especial em Haia e um “ajusticiamento” sumário.

O caso israelita mostra que a ONU se converteu em caixa de ressonância do cinismo americano, enquanto o TPI se revela incapaz de aplicar o princípio da igualdade jurídica entre Estados e indivíduos.

Conclusão

O genocídio palestiniano expõe a maior falência moral e jurídica do sistema internacional desde a Segunda Guerra Mundial. A ONU e o TPI deixaram de ser instituições universais e transformaram-se em instrumentos seletivos de poder.

A ingerência norte-americana sobre a justiça brasileira e a submissão dos bancos internacionais a Washington revelam um padrão: o imperialismo jurídico-financeiro é o mesmo que sustenta o genocídio em Gaza.

Assim, cabe perguntar: para que serve a ONU? Para que serve o TPI, se a justiça internacional é aplicada apenas aos fracos e nunca aos poderosos?

Enquanto Washington permanecer padrinho do novo fascismo israelita, a paz será um simulacro e a justiça, uma miragem.

 

Referências Bibliográficas

1.⁠ ⁠Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio (ONU, 1948).

2.⁠ ⁠Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (ONU, 1998).

3.⁠ ⁠Resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre a Palestina (242/1967; 338/1973; 2334/2016).

4.⁠ ⁠CHOMSKY, Noam. Gaza in Crisis: Reflections on Israel’s War Against the Palestinians. Haymarket Books, 2010.

5.⁠ ⁠FALK, Richard. Palestine: The Legitimacy of Hope. Just World Books, 2014.

6.⁠ ⁠SAID, Edward. The Question of Palestine. Vintage, 1992.

7.⁠ ⁠MAKDISI, Saree. Palestine Inside Out: An Everyday Occupation. Norton, 2010.

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