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Sete professores suspeitos de venda de drogas em escolas em Moçambique

Pelo menos sete professores dos distritos de Angoche, Lalaua e Nampula, no norte de Moçambique, estão detidos por suspeitas de envolvimento na venda de drogas em escolas, anunciou hoje o diretor de Educação na província de Nampula.

© Lusa

“Já conseguimos, através dos nossos órgãos de justiça e da PRM [Polícia da República de Moçambique], deter sete professores dos distritos de Angoche, Lalaua e Nampula por conta desta problemática da droga nas nossas escolas”, disse William Tunzine, durante uma conferência de imprensa na província de Nampula.

Os suspeitos pertencem a diferentes níveis de ensino, entre os quais primário, secundário e básico, avançou o diretor de Educação em Nampula, acrescentando que parte dos casos já reúnem provas suficientes para justificar a detenção dos professores.

William Tunzine avançou que correm processos criminais contra os professores e também processos disciplinares instaurados pelo setor.

“Nós, como Educação, já estamos a tramitar processos disciplinares que culminarão com a expulsão destes colegas”, declarou o diretor, referindo que a medida visa proteger os alunos e assegurar que os estabelecimentos de ensino permaneçam espaços seguros para a aprendizagem e que a escola “não seja palco de venda e consumo de drogas”.

O responsável afirmou que o setor não vai tolerar práticas que coloquem em risco o futuro dos alunos, referindo que se está a trabalhar “a todo o gás” junto das escolas e serviços sociais para travar o problema.

“Não queremos que droguem as nossas crianças. Não queremos que estraguem as nossas crianças. Nós queremos criar um futuro risonho para as nossas crianças (…). Queremos que não haja vendas e muito menos consumo de drogas dentro das nossas escolas na província de Nampula”, disse.

O Presidente moçambicano reafirmou, na sexta-feira, o compromisso em reforçar a cooperação internacional e adotar respostas mais eficazes no combate ao tráfico de drogas, alertando para o elevado consumo por adolescentes e jovens em Moçambique.

“Este fenómeno traduz-se, como temos estado a testemunhar, em dificuldades académicas, problemas de saúde, incluindo saúde mental, relacionamentos problemáticos com os colegas, professores, pais e encarregados de educação, que se tornam violentos em algumas ocasiões, e envolvimento com o sistema de administração da justiça”, disse Daniel Chapo, citado num comunicado da Presidência.

De acordo com o relatório Anual sobre a Evolução do Consumo e Tráfico Ilícitos de Drogas do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD), Moçambique apreendeu, em 2025, mais de quatro toneladas de diversas drogas, destacando-se a heroína, a cocaína, e a canábis sativa.

Moçambique é apontado por várias organizações internacionais como um corredor de trânsito para o tráfico internacional de estupefacientes com destino à Europa e Estados Unidos, sobretudo de heroína oriunda da Ásia, mas as apreensões de cocaína oriunda da América do Sul têm também aumentado.

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