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PME Apontam o Estado Como o “Maior Devedor”

O presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME), Pedro Silva, criticou o Governo por ser o maior devedor das PME no País, alertando que a situação está a “matar” o sector.

“Devemos olhar para os empresários (…). Não pode [o Estado] continuar a tardar 60 ou 90 dias para receber as suas facturas. O Governo não pode ser o maior devedor das PME, pois está a matar a área”, afirmou o responsável citado pela Lusa.

Pedro Silva apontou ainda que os atrasos no pagamento de facturas compromete a liquidez das Pequenas e Médias Empresas e dificulta o funcionamento regular das suas actividades. “Se queremos fortalecer as PME, não podemos deixá-las para último lugar, vamos defender as suas necessidades”.

O presidente da APME acrescentou que o fortalecimento das PME é determinante para dinamizar a economia nacional, defendendo maior atenção às necessidades do sector e políticas que permitam garantir maior circulação de recursos na economia.

Recentemente, a Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME) acusou o Estado de acumular dívidas de mais de 219,8 milhões de euros em obras de construção de estradas, alertando que as empresas estão a fechar por falta de pagamentos.

 

“É um montante muito alto e as empresas já perderam capacidade. Até, inclusive, as grandes empresas já estão a recorrer à banca para pagar salários, o que é grave, enquanto o certo seria ir à banca para fazer investimentos e executar as obras”, considerou o presidente da FME, Bento Machaila, em conferência de imprensa, realizada em Maputo.

Machaila acrescentou que a dívida é muito alta e que a FME não tem prova de que o Ministério das Finanças tenha pagado todo o montante acumulado em dez anos, incluindo o valor das intervenções das firmas por causa dos últimos ciclones registados nas regiões Norte e Centro do País, como foi alegado pelo Governo.

O responsável recordou que o País precisa agora dessas empresas para resolver os problemas actuais causados pelas cheias e inundações nesta época chuvosa, que termina em Abril, e que, só em estradas, já afectou cerca de sete mil quilómetros no território nacional.

“Sem capacidade financeira, vai ser difícil atender às solicitações. O que vai acontecer é o que estamos a ver agora: as empresas internacionais é que deverão fazer esses trabalhos e facturar, como tem acontecido, infelizmente. Se o empreiteiro não é pago adequadamente, perderá capacidade de tesouraria para investir nas obras”, lamentou.

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