Por Quinton Nicuete
A cidade de Pemba, capital da província de Cabo Delgado, acordou nesta quinta-feira, 13 de março, debaixo de fortes chuvas acompanhadas de trovoadas, num cenário que rapidamente transformou várias ruas e bairros em verdadeiros rios a céu aberto.
Desde as primeiras horas da madrugada, muitas famílias ficaram retidas em casa, enquanto outras arriscavam atravessar avenidas tomadas pela água. Na Avenida Marginal, junto à praia de Wimbe, a circulação tornou-se difícil devido ao alagamento de parte da via, expondo mais uma vez a vulnerabilidade das infra-estruturas urbanas da cidade.

Em frente ao Shopright/Aeroporto Nautilus
A situação repete-se na estrada ANE-Chiuba, marcada por obras de asfaltagem que parecem não ter fim. Na zona de Escritório, uma via recentemente construída apresenta inúmeras covas e irregularidades que facilitam a acumulação de água, agravando ainda mais as dificuldades de circulação de viaturas e peões.
No bairro Josina Machel, conhecido por Mporoma, moradores relatam casas invadidas pela água e uma corrida desesperada para salvar bens básicos. Para muitas famílias, que dependem do pequeno comércio e das vendas diárias nos mercados, um dia de chuva significa também um dia sem comida na mesa.
O cenário pode ser ainda mais preocupante em bairros historicamente vulneráveis, como Paquitequete, Natite, Chiuba, Muxara, Mahate e a zona residencial de Noviane, onde existem vários pontos críticos propensos a alagamentos sempre que a chuva se intensifica.
Com a precipitação persistente desde a madrugada, muitos trabalhadores não conseguiram chegar aos seus postos de trabalho, enquanto moradores acompanham com ansiedade a evolução do tempo.
Bairro Mahate
Até ao momento, a chuva continua a cair sobre Pemba, alimentando o medo de que a situação se agrave nas próximas horas e deixando no ar uma pergunta que se repete sempre que a cidade enfrenta as chuvas: até quando Pemba continuará vulnerável a cada tempestade? (Moz24h)