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Marrocos ultrapassa a África do Sul e torna-se o país mais industrializado de África

Pela primeira vez, o Reino de Marrocos ascendeu à posição de economia mais industrializada do continente africano até 2025. A informação é de um relatório do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). Embora Marrocos esteja certamente a beneficiar do declínio da África do Sul, este é também o resultado de uma estratégia política pró-indústria lançada há vinte anos.

No seu relatório, o BAD destaca os sucessos do modelo marroquino: aumento do investimento público e estrangeiro, zonas industriais em expansão e infraestruturas cada vez mais interligadas, particularmente com o porto de Tânger Med, agora o principal porto de África.

Com efeito um relatório da Confederação Africana de Marketing destacava em 2025 que ‘’o Complexo Portuário de Tanger Med, já o principal porto de contentores de África e do Mediterrâneo, está prestes a sofrer uma nova expansão que irá impulsionar as capacidades comerciais do país e melhorar as infraestruturas da cadeia de abastecimento na região do Magrebe, em África.’’

O relatório salientava ainda que, após a conclusão, a nova expansão permitirá ao complexo portuário ‘’aumentar a sua capacidade de movimentação de camiões para mais de um milhão de veículos por ano – em comparação com a capacidade actual de cerca de 500.000 camiões. Além disso, apoiará um maior crescimento das exportações nos sectores agroindustrial e industrial e reforçará ainda mais os laços comerciais entre a região e a Europa.’’

Esta reabilitação é financiada por um empréstimo de 206 milhões de dólares da Corporação Financeira Internacional (IFC) e da Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), ambas membros do Grupo do Banco Mundial; combinado a um empréstimo comercial de até 213 milhões de dólares, concedido por um consórcio de bancos internacionais, liderado pelo banco de investimento JP Morgan, com sede em Nova Iorque.

“Este projecto irá reforçar a posição de Marrocos como um crescente centro marítimo e logístico global, idealmente localizado para ligar mercados-chave na Europa, África e Américas”, enfatizava David Tinel, Gestor Regional da IFC para o Magrebe, citado pela publicação da African Marketing Confederation.

Como resultado, a indústria do reino já não depende apenas dos fosfatos ou dos automóveis, mas também de outros sectores promissores, como o aeroespacial. “Todas as aeronaves que voam hoje, produzidas após 2005, têm pelo menos um componente essencial fabricado em Marrocos.” “Uma das apostas do Rei Mohammed VI foi investir tanto na indústria aeronáutica como na indústria automóvel”, explica Abdelmalek Alaoui, presidente do Instituto Marroquino de Inteligência Estratégica e autor do livro ‘’Marrocos, o Desafio do Poder’’.

 

Um conto de dois Marrocos: o próspero e o periférico

“Quando um país decide investir fortemente em infraestruturas de alta qualidade, seja em conectividade, portos ou telecomunicações, há um número crescente de grandes investidores internacionais, mas também de investidores nacionais. E é aí que entramos numa categoria diferente”, analisa Abdelmalek Alaoui.

 

Um desafio permanece para Marrocos: garantir que todo o país beneficia deste sucesso industrial. “Há um Marrocos próspero, um Marrocos junto aos portos, um Marrocos da globalização. E há ainda um Marrocos das periferias, dos territórios.” E o facto de termos vivido esta industrialização forçada ampliou o fosso entre os muito ricos e os muito abaixo na escala social.

Porque, por detrás do desempenho industrial, as disparidades continuam a ser significativas. Num outro relatório divulgado no mês passado, o Banco Africano de Desenvolvimento observou que, embora Marrocos tenha certamente muitas empresas, o país enfrenta dificuldades em criar empregos suficientes para a sua população. (RFI/Moz 24 H)

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