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Mais quatro pessoas sequestradas por terroristas em Cabo Delgado

Por Estácio Valoi

MONTEPUEZ, Cabo Delgado — Quatro pessoas foram sequestradas por supostos insurgentes na tarde de domingo (26), na estrada que liga os distritos de Montepuez e Mueda, em Cabo Delgado, elevando o clima de medo numa região onde comunidades denunciam uma crescente circulação de grupos armados.

O bloqueio ocorreu no troço entre as aldeias de Namoro e Ntola, no Posto Administrativo de Nairoto, poucos dias depois de outros oito moradores terem sido sequestrados na aldeia de Muaja, no distrito vizinho de Ancuabe, segundo relatos de residentes.

A viagem entre Pemba e Montepuez, que antes podia ser feita em poucas horas, transformou-se numa travessia marcada por estradas profundamente degradadas. Buracos com mais de 15 centímetros de profundidade dificultam a circulação de pessoas e mercadorias, aumentando o isolamento das comunidades e tornando mais lenta a resposta em situações de emergência.

Durante o percurso entre Mesa, Muaja e Namanhumbir, a reportagem observou diversas viaturas militares patrulhando a região. Apesar da presença das forças de segurança, moradores afirmam que os insurgentes continuam a deslocar-se entre aldeias e zonas mineiras, permanecendo durante dias nas mesmas áreas.

Quando a reportagem esteve em Muaja, os oito homens sequestrados dias antes continuavam em poder dos insurgentes. Familiares mantinham contactos diretos com os raptores na tentativa de negociar a libertação das vítimas.

“Os terroristas estiveram aqui toda a semana. Primeiro chegaram os militares. Depois começámos a ouvir que tinham capturado uma pessoa numa machamba. Vieram até às nossas machambas, torturaram pessoas e depois seguiram para a estrada perto do rio Montepuez, onde também agrediram trabalhadores de uma mina”, contou um morador.

Até antes de ontem, os supostos terroristas permaneciam na aldeia de Muaja, de onde se retiraram no mesmo dia, segundo fontes locais.

Dos oito moradores sequestrados durante a incursão, cinco já tinham regressado até ontem. De acordo com as mesmas fontes, as famílias conseguiram negociar a libertação dos reféns pagando os valores que lhes foi possível reunir.

“Os familiares pagaram aquilo que conseguiram. Os bandidos estão agora na zona de Ravia”, afirmaram as fontes.

Segundo a mesma fonte, além da ameaça armada, a população enfrenta problemas relacionados com a exploração mineira artesanal.

“A população já sofre com cobranças ilegais. Há pessoas que pagam 100 meticais por uma parcela. Enquanto isso, vivemos com medo constante”, afirmou.

Os relatos recolhidos pela reportagem descrevem uma sequência de deslocações dos insurgentes entre várias localidades.

“Nós ouvimos que eles passaram por Mitepo, queimaram casas, seguiram para Mera, onde permaneceram cerca de três dias, e depois desceram pelo rio Montepuez até chegarem à mina de Muaja”, disse outra testemunha.

Segundo os moradores, os insurgentes saquearam alimentos, mercadorias e bens pertencentes aos garimpeiros antes de castigarem fisicamente dezenas de pessoas.

“As mulheres receberam cerca de 60 chicotadas. Os homens levaram aproximadamente 70. Bateram em toda a gente”, relatou a fonte.

Os residentes afirmam ainda que duas pessoas permanecem desaparecidas desde o ataque.

“Havia duas pessoas que tinham os cabelos queimados durante as agressões. Até agora não regressaram à aldeia e não sabemos se continuam com os insurgentes, se conseguiram fugir ou se foram mortas”, acrescentou.

Resgates exigidos

Segundo familiares e testemunhas, os sequestradores passaram a exigir dinheiro para libertar parte das vítimas.

“Quando saíram da mina levaram dez pessoas. Mais à frente capturaram dois homens numa motorizada. Depois chegaram a outra mina e voltaram a agredir trabalhadores”, contou uma fonte.

Os moradores afirmam que os insurgentes exigiram inicialmente 50 mil meticais pela libertação de cada refém.

“Eles telefonaram às famílias a pedir 50 mil meticais. A família respondeu que não tinha esse dinheiro. Depois de muita negociação aceitaram 10 mil meticais para libertar um dos homens”, relatou.

Segundo os residentes, um homem e uma criança foram posteriormente libertados, enquanto oito pessoas continuavam em cativeiro no momento em que a reportagem deixou a região.

“Os outros continuam com eles. Não sabemos para onde foram nem qual é o estado em que se encontram”, disse outro morador.

Apesar da presença posterior das Forças de Defesa e Segurança na aldeia, os residentes afirmam que o medo permanece.

“As forças chegaram depois. Agora estão aqui connosco, mas continuamos sem saber o destino das pessoas que ficaram nas mãos dos insurgentes”, concluiu uma das testemunhas.

Os relatos surgem numa altura em que as autoridades provinciais continuam a afirmar que as operações militares decorrem em vários pontos de Cabo Delgado para conter a movimentação dos grupos armados. No entanto, os testemunhos recolhidos pela reportagem descrevem uma realidade marcada por incursões sucessivas, deslocações forçadas, raptos e pedidos de resgate, reforçando o sentimento de insegurança entre as comunidades que vivem nas zonas afetadas. (Moz24h)

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