Por Quinton Nicuete
Pelo menos 35 combatentes do Estado Islâmico Moçambique (ISM) foram mortos durante operações militares conduzidas pelas forças ruandesas nos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia e Muidumbe, segundo dados da ACLED citados pelo jornal Integrity.
De acordo com a Integrity, as forças ruandesas intensificaram recentemente a ofensiva contra o ISM, com maior incidência nos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia e Muidumbe. Em Muidumbe, os militares responderam a ataques dos insurgentes ao longo da Estrada Nacional N380, situação que levou ao encerramento temporário da via por vários dias, evidenciando a persistência da ameaça insurgente em corredores estratégicos de transporte no norte de Cabo Delgado.
O mesmo jornal refere que, apesar da pressão militar exercida pelas forças estrangeiras e seus aliados, os insurgentes continuam a demonstrar capacidade de mobilidade e de perturbação das principais rotas rodoviárias, mantendo níveis elevados de insegurança na região.
Entretanto, Moçambique enfrenta um agravamento da crise económica, com impactos directos no setor da saúde, na sequência dos cortes previstos no orçamento revisto para 2026. O documento orçamental obrigou o Governo a reduzir as projeções de receitas do Estado em cerca de 24 mil milhões de meticais para o presente ano e mais 15 mil milhões de meticais para 2026.
Apesar das garantias governamentais de que os serviços essenciais serão protegidos, o jornal Integrity relata que várias unidades sanitárias já operam sob forte pressão financeira. Hospitais enfrentam dificuldades para cobrir despesas básicas, como aquisição de medicamentos, fornecimento de água, eletricidade e manutenção, enquanto os baixos salários crónicos continuam a contribuir para práticas de cobranças informais aos pacientes.
A situação é agravada pela retirada progressiva do apoio financeiro da USAID e pela ausência de um modelo alternativo de financiamento, o que, segundo a Integrity, torna cada vez mais difícil para os cidadãos exercerem, na prática, o seu direito constitucional ao acesso gratuito aos cuidados de saúde.
No domínio da cooperação internacional, a Integrity noticia que a Suécia decidiu encerrar gradualmente a sua cooperação bilateral para o desenvolvimento com Moçambique, uma decisão que também afecta o Zimbábue, Tanzânia, Libéria e Bolívia. De acordo com um comunicado da Embaixada da Suécia em Maputo, a medida entrará em vigor a partir de 31 de agosto de 2026 e não está relacionada com acontecimentos específicos no país.
Segundo o Integrity, os recursos libertos serão redireccionados para outras prioridades da política externa sueca, com destaque para o reforço do apoio à Ucrânia, que deverá atingir pelo menos 1,06 mil milhões de dólares em 2026, destinados à reconstrução de infraestruturas energéticas.
O Moz24h continuará a acompanhar estes desenvolvimentos. Moz24h

