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FACIM 2026: ENH Quer Transformar Hidrocarbonetos em “Motor da Industrialização e Diversificação Económica”

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), através do seu director de Conteúdo Local, Nilton Cuinhane, defendeu que a exploração dos recursos de gás natural deve contribuir para a industrialização, criação de emprego e diversificação da economia. A posição foi apresentada esta quinta-feira, 3 de Setembro, durante um seminário sobre o papel dos hidrocarbonetos no desenvolvimento nacional, realizado no âmbito da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM 2026).

 

Texto: Florença Nhabinde

 

Nilton Cuinhane defendeu que o conteúdo local deve ser avaliado pelos benefícios concretos gerados para as comunidades e para o sector empresarial nacional, através da capacitação das empresas e da mão-de-obra. “O sucesso do conteúdo local mede-se pelo impacto real nas comunidades e no tecido empresarial moçambicano”, afirmou o responsável, defendendo uma participação nacional sustentável na cadeia de valor dos hidrocarbonetos.

Por sua vez, o director Comercial e Marketing Doméstico e Regional da ENH, Titos Nhabomba, destacou o potencial do gás natural para responder às necessidades energéticas e industriais do País. Segundo explicou, cerca de 33% da matriz energética nacional já é gerada a partir do gás natural. “A prioridade é converter as reservas no subsolo em impacto directo no bem-estar dos moçambicanos”, afirmou Titos Nhabomba.

O responsável destacou ainda os avanços na produção local de gás de petróleo liquefeito (GPL), que já permite cobrir entre 70% e 75% das necessidades do mercado interno, reduzindo a dependência de importações. Titos Nhabomba referiu também que a legislação reserva 25% do gás produzido para o mercado doméstico, a preços sustentáveis, criando condições para o desenvolvimento de actividades como a petroquímica, a geração de energia e a produção de fertilizantes.

Segundo Titos Nhabomba, o aproveitamento do gás natural poderá igualmente impulsionar a agricultura, através da produção local de fertilizantes, e reforçar a capacidade energética necessária para sustentar novas indústrias. O responsável considera que a expansão das infra-estruturas e da utilização doméstica do gás poderá aumentar o valor acrescentado retido no País e contribuir para posicionar Moçambique como um ‘hub’ energético regional.

No âmbito do conteúdo local, Nilton Cuinhane destacou o papel da ENH na articulação com os parceiros dos grandes projectos, com vista a aumentar a absorção de profissionais nacionais qualificados. Defendeu ainda a transferência de tecnologia e conhecimento como factores essenciais para fortalecer o mercado local. “É preciso capacitar as empresas nacionais para que sejam competitivas, sustentáveis e capazes de diversificar a economia”, sublinhou Nilton Cuinhane.

Já o coordenador do Programa Linkar da ENH, Ken McGhee, considerou que as empresas moçambicanas estão em condições de integrar a cadeia de fornecimento dos grandes projectos de hidrocarbonetos. O programa conta com uma base de dados de cerca de 300 empresas mapeadas nas províncias de Inhambane, Maputo e Cabo Delgado, aproximadamente 40% das quais são lideradas por mulheres.

Apesar deste potencial, Ken McGhee apontou a certificação como uma das principais lacunas que as empresas nacionais precisam de superar para competir nos grandes projectos. Entre os padrões exigidos estão as normas ISO 9001, de qualidade, ISO 14001, de ambiente, e ISO 45001, de saúde e segurança ocupacional. “Ter estas certificações é a carta de condução para que as empresas possam disputar e vencer as oportunidades”, afirmou Ken McGhee.

O seminário, moderado pelo presidente da Associação de Conteúdo Local de Moçambique (ACLM), Elthon Chemane, concluiu que a transformação dos hidrocarbonetos em motor de desenvolvimento depende da criação de capacidades nacionais. A expansão das infra-estruturas, a formação profissional, a certificação das empresas, a transferência de tecnologia e a agregação de valor local foram apontadas como factores fundamentais para garantir que os recursos naturais contribuam para a industrialização e diversificação sustentável da economia moçambicana. (DR)

 

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