O Ministério das Finanças comunicou que Moçambique fechou o ano de 2025 em recessão económica de 0,52%, após crescimento de 2,15% em 2024, acrescentando ainda que houve um défice nas contas públicas, equivalente a 1,3 mil milhões de euros.
De acordo com o relatório sobre a Conta Geral do Estado de 2025 (CGE 2025), o desempenho contrasta com a previsão de crescimento económico de 2,9%, num ano que ainda foi marcado pelos protestos pós-eleitorais de Outubro de 2024 que provocaram destruição, paralisação de empresas e mais de 400 mortos em confrontos com a polícia.
“As receitas do Estado ficaram aquém dos 5,1 mil milhões de euros previstos, somando apenas 4,8 mil milhões de euros, ou seja, 94,5% do orçamentado, enquanto as exportações também falharam a meta ficando na casa dos 6,6 mil milhões de euros”, avança o documento divulgado pela Lusa.
Segundo o relatório elaborado pelo Governo, em 2025, também foram cortadas as despesas, sendo executadas em apenas 89,6% do previsto, ficando-se nos 6,2 mil milhões de euros, originando um défice de 1,3 mil milhões de euros, contra os 1,7 mil milhões de euros orçamentados inicialmente.
Segundo o Executivo, esta estimativa resulta de um trabalho profundo de análise, de auscultação aos sectores e de alinhamento com os pilares do Programa Quinquenal 2025-29. “O PESOE 2026 será um instrumento orientado para resultados concretos, com metas claras de impacto económico e social.”
A projecção foi avançada pelo chefe‑adjunto da divisão de estudos regionais do departamento africano do FMI, António David, que sublinhou que a actividade económica no País continuará pouco dinâmica no curto prazo. “No ano passado, já houve um crescimento negativo e projectamos que, devido à elevada incerteza e à escassez de divisas, a actividade económica deverá manter‑se fraca”, afirmou.
Para o responsável, embora os projectos de gás natural possam vir a impulsionar o crescimento mais para o final da década, o País deverá enfrentar constrangimentos significativos até lá, sendo particularmente afectado pelo actual contexto internacional. A guerra no Médio Oriente, destacou, tem provocado choques nos preços do petróleo, penalizando economias importadoras como a moçambicana.
“Como Moçambique é um país importador de petróleo, é bastante afectado pelo choque de oferta causado pela crise no Médio Oriente, o que deverá impactar negativamente as perspectivas de crescimento para 2026”, explicou.
Apesar do abrandamento económico, o FMI reconheceu a capacidade das autoridades moçambicanas em manter a inflação controlada, abaixo dos 5%. Ainda assim, alerta para a existência de pressões orçamentais significativas, agravadas por limitações na mobilização de receitas públicas, nomeadamente devido a isenções fiscais em regimes especiais.(DR)

