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ANAMOLA falha no alvo

Por Edwin Hounnou

As cenas que estão a correr nas redes sociais em que supostos membros do ANAMOLA aparecem , algures na África do Sul, a queimar bandeiras do MDM. Esse acto é um erro estratégico grave de um partido que se diz da oposição. Em política séria, a oposição faz-se em relação ao partido no poder e nunca de modo diferente.

A oposição nunca deve jogar pedras contra outra oposição, nem destruir as suas infraestruturas, muito menos ainda incendiar os seus símbolos. Um partido que seja da oposição que hostiliza outro partido da oposição, consciente ou não, está a favorecer o partido no poder. Está a fazer o jogo do “inimigo” e não da oposição.Aqueles homens que se dizem ser do ANAMOLA, acreditamos que se desviaram dos objectivos do seu partido. O ANAMOLA, como se sabe, surgiu para lutar pela conquista do poder para mudar o rumo do nosso país e não para se confrontar com os demais partidos da oposição.

Os homens que apareceram a queimar bandeiras do MDM devem ser uns infiltrados no ANAMOLA a ver se a oposição se “massacra” má contra a outra para favorecer o partido Frelimo. Não pode ter uma outra explicação diferente ou razoável para além dessa. Ser inimigo da oposição, sendo da oposição, é pior que ser do partido governamental.

Quem se afastar destes objectivos está, de forma clara e inequívoca, a ajudar o partido no poder.Uma oposição vencedora é aquela que sabe escolher seus alvos de cada momento. Não atira de qualquer maneira para alvos indefinidos porque se agir desse modo, corre o risco de falhar. A oposição está proibida de falhar no alvo porque esse é público. É bem conhecido – é aquele que nos empobrece.

O alvo da oposição é aquele que traz a pobreza e impede o desenvolvimento do país. É aquele que, mesmo perdendo as eleições, não aceita sair do poder e manda matar a quem protestar. Falhar um alvo tão público quanto esse é comportar-se como se fosse colaborador do “inimigo”. Quem não sabe definir o alvo das suas armas, não vence a guerra de hoje nem de ontem. Não alcança o poder que diz tanto almejar. O ANAMOLA falhou, de forma redonda, no alvo a abater.

Gostaríamos de recordar aos políticos da oposição para não perderem de vista o seu alvo. O alvo da Renamo deve ser a Frelimo. O alvo do MDM deve ser o Frelimo. O alvo da Nova Democracia deve ser a Frelimo. O alvo do ANAMOLA deve ser a Frelimo. Qualquer troca de alvo será o mesmo que dar tiro nos seus próprios pés e isso só pode ser uma ingenuidade inaceitável.

Quem deseja chegar ao poder, a definição do alvo das suas armas é fundamental, se não pode perder o seu tempo disparando para andorinhas enquanto está à vista. O ANAMOLA por ser o mais novo de todos, não pode virar as suas armas contra colegas da jornada. Se voltar a cometer o mesmo erro, pensaremos que anda equivocado. Que alguns do ANAMOLA foram comprados para destruir a oposição.

A oposição ao invés de se digladiar por futilidades, deveria concentrar-se na direcção principal que é denunciar os erros do regime e traçar a estratégia de luta. Quando a oposição se bate, queima bandeiras e destrói os símbolos de outros , convoca conferências de imprensa, emitem-se comunicados para se insultar, a Frelimo agradece e bate palmas. O regime esfrega as mãos para que episódios similares se repitam muitas vezes.

Uma oposição inteligente não se bate nem se insulta. Une as fileiras e esforços por ter a consciência de que o seu “inimigo” é aquele que detém o poder. É aquele que rouba votos. É aquele que faz enchimentos de urnas para continuar no poder contra a vontade do povo. O ANAMOLA nunca lançou pedras contra o um E porquê agora?

O partido no poder fica atrapalhado quando a oposição se apresentar concertada e unida por saber que o seu fim já chegou. Aí nem a polícia nem os órgãos eleitorais – STAE (Secretariado Técnico de Administração Eleitoral) nem a CNE (Comissão Nacional de Eleições) nem mesmo o Conselho Constitucional lhe salvará da perdição. Uma oposição inteligente não se combate entre si. Faz frente única. (Moz24h)

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