Economia

PR Lança Repto a Empresários Moçambicanos Para Comprarem os 36% do Capital do BCITexto:

Felisbeto Ruco

 

 

O Presidente da República, Daniel Chapo, propôs que a participação de cerca de 36% que o banco português BPI detém no Banco Comercial e de Investimentos (BCI) seja vendida a investidores moçambicanos, incluindo cidadãos, empresas e instituições nacionais. Segundo a proposta, 11% do capital seriam disponibilizados ao público e os restantes 25% a investidores institucionais e empresariais, aproveitando a intenção anunciada pelo BPI de sair da estrutura accionista do maior banco de Moçambique.

 A iniciativa foi apresentada esta quarta-feira (14) em Maputo, na cerimónia comemorativa do 28.º aniversário da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), em Maputo, onde o chefe do Estado defendeu o aumento da participação nacional no capital das principais instituições financeiras do País. “O Governo tem procurado criar condições para que a participação dos 36% actualmente detidos pelo BPI constitua uma oportunidade de alargamento da presença de investidores moçambicanos, incluindo cidadãos, empresas e investidores institucionais, respeitando os procedimentos de avaliação, negociação e autorização legalmente exigidos”, afirmou Daniel Chapo.

Segundo o Presidente, a compra da participação que o BPI pretende alienar poderá reforçar a presença de investidores nacionais no sistema bancário. O Governo pretende igualmente envolver a direcção e os trabalhadores do banco na discussão da operação.

Na prática, a iniciativa visa transferir para investidores moçambicanos a participação do BPI, correspondente a 35,67% do capital do BCI, sem alterar necessariamente as posições dos restantes accionistas. O BCI tem um capital social de cerca de 156 milhões de dólares e é controlado pela Caixa Participações, do grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD), com 51% das acções. O BPI é o segundo maior accionista, seguido da CGD, que detém directamente 10,51%; o restante capital está disperso por accionistas minoritários.

Chapo defendeu que a saída do BPI deve ser aproveitada para aumentar a participação moçambicana no sector financeiro, dando a cidadãos e empresas nacionais maior acesso à propriedade de instituições com relevância económica. Manifestou ainda o desejo de que, num futuro próximo, os moçambicanos possam afirmar que o BCI é “verdadeiramente daqui”, numa referência ao lema comercial do banco.

A proposta foi enquadrada na estratégia do Governo para desenvolver o mercado de capitais e aumentar a presença de investidores nacionais nas principais empresas do País. Segundo Chapo, Moçambique precisa de “um mercado de capitais mais profundo, mais líquido e capaz de oferecer instrumentos adequados às necessidades das empresas e dos investidores”.

Daniel Chapo defendeu que a saída do BPI deve ser aproveitada para aumentar a participação moçambicana no sector financeiro

O Presidente anunciou também que o Executivo está a aperfeiçoar a legislação aplicável aos bancos, às seguradoras e a outras empresas consideradas estratégicas para a economia nacional, com o objectivo de facilitar uma maior participação de capital moçambicano. As alterações deverão respeitar os requisitos prudenciais e regulamentares do sector financeiro, de modo a preservar a estabilidade das instituições e a confiança dos investidores. “Queremos que esta experiência, caso se concretize nos termos previstos, demonstre que o mercado de capitais pode desempenhar um papel importante na nacionalização económica da propriedade empresarial, sem comprometer a confiança dos investidores, a estabilidade financeira e a competitividade das instituições”, declarou.

Em Maio passado, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, reafirmou o interesse do grupo em manter a participação no BCI, apesar da saída anunciada pelo BPI. Após um encontro com Daniel Chapo, o gestor afirmou que a CGD pretendia continuar no banco “enquanto as autoridades o acharem conveniente e enquanto formos bem-vindos”, admitindo também que o BCI venha a ser cotado na BVM.

De acordo com o mais recente relatório e contas, o BCI manteve em 2025 a liderança do sistema bancário moçambicano, com cerca de 2,5 milhões de clientes. Os lucros, porém, recuaram 40,3%, para cerca de 56,4 milhões de dólares, o que o banco atribuiu ao reforço das imparidades ligadas à exposição à dívida pública, após o agravamento do risco soberano, e a custos extraordinários com a devolução de comissões.

A operação continua em avaliação e depende de negociações entre as partes e das autorizações regulamentares necessárias. Ainda não foram anunciados o valor, o calendário da venda das acções nem as condições de participação dos investidores moçambicanos.(DR)

 

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