Entre a guitarra, o blues, o reggae e o pop-rock, o músico construiu uma identidade própria e prepara-se para apresentar dois álbuns ao público.
Por Redacção
De Ressano Garcia para os palcos da Matola, passando por festivais nacionais e experiências além-fronteiras, Dickson Machanguana construiu, ao longo de mais de uma década, uma carreira assente na guitarra, na composição e numa convicção: o rock também tem espaço na música moçambicana.
Aos 37 anos, o músico, compositor e guitarrista apresenta-se como uma das vozes que procuram manter viva e reinventar a sonoridade rock no país. A sua história começou em 2009, quando os primeiros acordes ganharam forma através das aulas de guitarra e canto ministradas pelo amigo e voluntário alemão Niklas Rodolph.
Foi nessa fase que nasceu “Jullie”, uma composição própria que rapidamente chamou atenção no circuito musical local e levou o jovem artista a participar num concurso de música da vila.
Um ano depois, em 2010, Dickson deu um passo decisivo na sua carreira ao fundar a banda Névoa do Deserto. O grupo viria a transformar-se numa verdadeira escola para o músico, permitindo-lhe percorrer diferentes palcos e participar em festivais de rock dentro e fora de Moçambique.
Em 2015, a banda lançou “Pfumela”, expressão que significa “Aceita” em português. A música tornou-se uma das principais referências do grupo e, ainda hoje, permanece associada aos seus concertos.
Mas a trajectória de Dickson não ficou confinada ao circuito do rock. O artista teve oportunidade de partilhar o palco com nomes de destaque da música nacional e internacional, incluindo na abertura de um concerto de Anselmo Ralph. Participou igualmente no Festival Nacional da Cultura, no Festival da Carne Caprina e na Batalha de Bandas para o Wacken, em Sognage, na África do Sul.
Em 2019, durante a tournée “Sing With Me”, surgiu outro capítulo importante. A banda iniciou a gravação de “The Dream Of The Migrant”, álbum de 11 faixas que continua por lançar.
A pandemia da COVID-19 alterou, entretanto, o rumo do projecto. Com a paralisação de grande parte da actividade cultural, Dickson encontrou na carreira a solo uma nova possibilidade de expressão.
Foi assim que, em 2021, apresentou “There I Go”, um álbum com 16 músicas disponibilizadas em plataformas digitais como YouTube, Spotify e Deezer.
O trabalho revela um artista disposto a atravessar fronteiras sonoras. Blues, afro-reggae e rock-reggae encontram-se com o pop-rock numa mistura que procura preservar a identidade do músico. As canções são interpretadas em inglês, changana e português, numa escolha que aproxima diferentes públicos e, ao mesmo tempo, reforça a ligação do artista às suas raízes.
Nas letras, Dickson aborda temas como amor, união, paz e preconceito contra o rock, transformando a música não apenas numa forma de entretenimento, mas também num espaço de expressão e reflexão.
UMA HISTÓRIA CONTADA EM MÚSICA
O capítulo mais recente dessa caminhada chama-se “Eu Andei”. O álbum funciona como uma viagem pela própria história do artista, desde os primeiros passos na música até à fase actual.
Mais do que uma colecção de canções, o trabalho procura documentar uma trajectória marcada por desafios, aprendizagem e persistência. O disco inclui ainda músicas relacionadas com o desenvolvimento do quinquénio, trazendo mensagens de sensibilização para boas práticas na comunidade.
Na construção do projecto, Dickson contou com uma equipa diversificada. A produção esteve a cargo de Sacre, enquanto a masterização foi realizada por Roberto House, da Associação dos Músicos.
Participaram no trabalho Stelio Zoe, na bateria; Denis Tivane, no baixo; Aziza Mole, nos coros; e Roberto Chitsonzo Jr., Izzy Versety e Orlique Mondlane, nas guitarras.
As gravações decorreram no Metro Studio, em Ressano Garcia, com Alexander Aguiar, do Paraguai. O projecto contou ainda com participações especiais de Gessica Gonzalez e Roseny.
O ROCK COMO IDENTIDADE
Actualmente, Dickson continua a apresentar-se em diferentes espaços, sobretudo na Matola, entre casas de pasto, eventos privados e outros palcos que lhe permitem manter uma ligação directa com o público.
Para o músico, cada palco representa também uma oportunidade de mostrar que o rock moçambicano pode assumir diferentes formas sem perder a sua identidade.
É nessa perspectiva que se prepara para um dos momentos mais importantes da sua actual fase artística: um concerto de lançamento dos dois álbuns, previsto para este ano.
O espectáculo deverá representar mais do que a apresentação de novos trabalhos. Será, sobretudo, a celebração de uma caminhada iniciada em Ressano Garcia, construída com uma guitarra nas mãos e sustentada pela persistência de quem escolheu fazer rock num mercado onde outros estilos dominam.
Dickson Machanguana continua, assim, a escrever a sua história à margem das fórmulas fáceis. Entre o inglês, o changana e o português; entre o blues, o reggae e o rock; entre Ressano Garcia e os grandes palcos, o artista procura afirmar uma voz própria.
Uma voz que vem da fronteira, atravessa géneros e insiste em fazer do rock uma parte da identidade musical moçambicana.
CONTACTOS
rockdikz@gmail.com
864 799 350 | 844 586 957
Redes sociais: @Dickson Machanguana

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