O espectro político moçambicano continua assombrado pela actuação impiedosa de esquadrões da morte que se espalham por diversas regiões do país. Com raízes que remontam aos primórdios da democratização do país, estes grupos, que operam sob a sombra do aparelho securitário do Estado, têm tido como principais alvos opositores políticos, jornalistas, académicos, activistas e defensores de direitos humanos — em suma, todos aqueles que se recusam a alinhar-se com o pensamento dominante do poder político.Nos últimos anos, e particularmente desde a crise pós-eleitoral de 2024, os alvos preferenciais passaram a ser indivíduos associados ao projecto político de Venâncio Mondlane, actual presidente do recém-criado partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA).Só no mês de Maio de 2026, dois membros destacados do ANAMOLA foram assassinados. Trata-se de Anselmo Abílio Vicente, delegado político do ANAMOLA em Chimoio, morto a tiro na noite de 9 de Maio de 2026, e de Pedro João Chaúque, militante do partido na província de Gaza, assassinado a tiro dentro da sua própria residência no dia 16 de Maio de 2026.Este fenómeno revela o elevado nível de intolerância e violência política existente em Moçambique. Tal realidade resulta, por um lado, de um profundo défice democrático e da crescente instrumentalização das instituições estatais para fins de perseguição e eliminação de adversários políticos.

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