O Estado veste farda
e cospe fogo pelas costas do povo.
Não protege-
queima,
não serve manda,
não ouve manda calar.
Somos carvão sob o peso do Estado
ainda assim, faíscamos.
Mesmo pisados, cuspidos, vigiados,
há lume por baixo da cinza,
há raiva que não apaga.
Na tela: gás, tiro, grito seco.
Lá fora: marcha, dor, coragem.
Cortam o som, mas não o pulso.
Cortam a luz, mas não o fogo.
De cada lágrima nasce um punho,
e de cada punho, uma rua em marcha.
Se o medo é imposto,
a coragem é nossa.
Se a ordem é ditada,
a revolta é escrita com sangue.
Ninguém cala o que vem do chão.
Moçambique ainda não nos mataram todos.
E mesmo mortos, voltamos em voz.
Ismael Miquidade, 17-07-2025
