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500 mil meticais evaporam no Aviator: funcionária da bomba deixa candongueiros sem combustível em Pemba

Uma funcionária de bomba de combustível, situada no bairro de Mahate, na cidade de Pemba, em Cabo Delgado, terá perdido cerca de 500 mil meticais pertencentes a vendedores informais de combustível, depois de alegadamente usar o dinheiro numa plataforma de apostas online, denominada Aviator.O caso terá ocorrido entre os dias 24 e 26 de Setembro, depois de a funcionária receber valores de vários vendedores informais, conhecidos como candongueiros, que aguardavam pelo fornecimento de combustível num contexto de escassez que afecta a província.

Segundo relatos na posse do Moz24h, a funcionária mantinha contacto com vários vendedores informais e recolhia antecipadamente os valores correspondentes ao combustível que estes pretendiam adquirir. Os pagamentos variavam, havendo pessoas que entregavam 15, 20, 30 mil meticais ou superior, dependendo da quantidade de combustível pretendida.
No total, os valores entregues por vários vendedores terão atingido cerca de 500 mil meticais.

O procedimento, segundo as mesmas fontes, consistia em os vendedores efectuarem o pagamento antecipadamente e aguardarem uma chamada da funcionária quando houvesse combustível disponível. A operação ocorria frequentemente durante a noite, incluindo por volta da meia-noite, uma ou duas horas da madrugada.
Além do valor do combustível, os vendedores pagavam alegadamente mais 500 meticais por cada bidão de 20 litros abastecido.

Entretanto, depois de receber os valores no dia 24 de Setembro, a funcionária terá começado a apostar no Aviator. Segundo o relato, realizou sucessivas apostas de 50 e 60 mil meticais, mas perdeu os valores.

No dia seguinte, terá voltado a efectuar novas apostas, utilizando novamente montantes elevados, até esgotar o dinheiro que havia recebido dos vendedores.

Sem combustível para entregar e sem condições para devolver imediatamente os valores, a situação começou a gerar pressão entre os vendedores, que aguardavam pelo abastecimento prometido.

No dia 27 de Setembro, cerca de 11 vendedores terão procurado esclarecimentos junto da 4ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Pemba, depois de não receberem o combustível nem a devolução dos valores entregues.

De acordo com as informações apuradas pelo Moz24h, a funcionária terá sido chamada para prestar esclarecimentos e admitido ter recebido aproximadamente 500 mil meticais e utilizado o dinheiro em apostas no Aviator.

Fontes próximas do caso, indicam que, logo que a gerência da bomba tomou conhecimento, a funcionária foi suspensa das suas actividades, enquanto a família terá assumido o compromisso de ressarcir os vendedores.

O pagamento deverá ser feito de forma faseada, com a família a comprometer-se, segundo as mesmas fontes, a entregar mensalmente cerca de 50 mil meticais até completar o valor em causa.

O caso ocorre num contexto particularmente sensível de escassez e encarecimento de combustíveis em Cabo Delgado. Relatos indicam que a gasolina tem sido comercializada informalmente a preços muito acima do preço praticado nas bombas, chegando, em alguns pontos da província, a valores entre 200 e 600 meticais por litro.

Em Pemba, Montepuez, Chiúre e Ancuabe, o outros distritos, os preços relatados situam-se entre 200 e 300 meticais por litro, enquanto em zonas como Quissanga e Balama os valores poderão atingir cerca de 400 e 600 meticais, respectivamente.

Estes preços são referentes ao mercado informal e precisam de ser confirmados em cada localidade.
A situação levanta igualmente questões sobre os mecanismos de distribuição e controlo de combustível em períodos de escassez, sobretudo quando consumidores recorrem ao mercado informal para garantir o produto.

O caso relatado em Pemba expõe ainda a existência de operações em que vendedores entregam antecipadamente grandes quantias a operadores de bombas para garantir combustível, ficando dependentes de chamadas e de disponibilidade do produto.

Enquanto se aguarda a versão da gerência da bomba e das autoridades, o caso permanece como uma denúncia envolvendo cerca de 500 mil meticais e uma funcionária que, segundo os relatos, terá admitido ter perdido o dinheiro em apostas online. (Moz24h)

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