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Venâncio Mondlane denuncia 58 mortes e novos ataques contra membros do ANAMOLA

O ex-candidato presidencial e líder do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, denuncia a morte de 58 pessoas que associa à actuação de alegados esquadrões sob o comando das Forças de Defesa e Segurança (FDS), acusando o Estado de permitir a persistência da violência contra membros da oposição.

Numa publicação na sua página do Facebook, Mondlane dirigiu-se ao Comandante-Chefe das FDS, afirmando que as vítimas continuarão a exigir justiça, apesar das mortes. “Podem nos matar, não vamos desistir!”, escreveu o dirigente, numa mensagem em que denuncia novos casos de violência contra membros e quadros do seu partido.

Entre os casos mencionados está o de Araújo Tendence, identificado por Mondlane como quadro sénior do ANAMOLA no distrito de Mopeia, província da Zambézia, que terá sido assassinado a tiro. O caso foi igualmente denunciado pelo Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), que exigiu uma investigação independente ao homicídio.

Mondlane refere ainda o caso de Cândido António, quadro do partido no distrito municipal da KaTembe, na cidade de Maputo, que, segundo a denúncia, terá sido raptado e brutalmente torturado. As circunstâncias destes casos e a eventual responsabilidade dos alegados autores carecem de esclarecimento pelas autoridades competentes.

O dirigente denuncia também uma alegada tentativa de homicídio contra Horácio Lambo, coordenador do ANAMOLA no distrito de Chibabava, província de Sofala. De acordo com a versão divulgada pelo partido, um indivíduo armado com um revólver terá invadido a residência do dirigente, que conseguiu imobilizá-lo e desarmá-lo.

Ainda segundo o relato do ANAMOLA, o suspeito foi cercado por populares e acabou por ser levado pela Polícia para uma esquadra, antes que fosse agredido pela multidão. Não foram disponibilizados, na informação divulgada, detalhes adicionais sobre a identidade do suspeito, as motivações do ataque ou o estado de uma eventual investigação criminal.

As denúncias de Mondlane surgem num contexto de preocupação com a segurança de membros de partidos políticos e com as condições para o exercício da actividade política em Moçambique. No caso de Araújo Tendence, o CDD apelou ao Presidente da República para que o homicídio seja investigado de forma independente e que sejam apuradas eventuais responsabilidades, incluindo perante a denúncia de possível envolvimento de agentes policiais.

Até ao momento, as informações apresentadas pelo líder do ANAMOLA não permitem confirmar de forma independente o número de 58 mortes que atribui à alegada actuação de esquadrões, nem estabelecer uma ligação entre todos os casos denunciados e as Forças de Defesa e Segurança. A posição das autoridades sobre as acusações também não consta das declarações disponibilizadas.

A investigação dos casos denunciados e a divulgação de informações oficiais sobre as circunstâncias das mortes, raptos e alegadas tentativas de homicídio serão determinantes para esclarecer os factos e apurar responsabilidades. (Moz24h)

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