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Venâncio Mondlane crítica as condições de vida da população moçambicana e aponta o sector informal como sobrevivência

O partido Anamola, de Venâncio Mondlane (no foto ao centro), foi aprovado em 15 de agosto pelo Governo moçambicanoFoto: Álvaro Jaime/DW

Por Quinton Nicuete

 

 

O presidente do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, apresentou no último sábado, 18 de Abril, uma leitura crítica sobre as condições de vida da população moçambicana, durante a cerimónia de tomada de posse dos coordenadores provinciais da sua formação política.

No seu discurso, Mondlane defendeu que existe um profundo desfasamento entre o rendimento das famílias e o custo real de vida no país. Segundo afirmou, uma família que necessitaria de cerca de 40 mil meticais mensais para garantir condições dignas vive, na prática, com cerca de 10 mil meticais, levantando dúvidas sobre os mecanismos reais de sobrevivência da maioria dos cidadãos.

O político centrou a sua análise na estrutura do mercado de trabalho, referindo que Moçambique possui cerca de 17 milhões de pessoas em idade economicamente activa, entre os 15 e os 64 anos, o que representa mais de metade da população. No entanto, segundo os dados por si apresentados, apenas uma pequena fracção está inserida no emprego formal.

De acordo com Mondlane, cerca de 95% desta população activa depende do sector informal para sobreviver, recorrendo a actividades precárias e instáveis, frequentemente descritas como “biscates”, pequenos negócios de rua ou trabalhos ocasionais. Apenas cerca de 5%, o equivalente a aproximadamente 1,7 milhões de pessoas, possui emprego formal.

Dentro deste grupo, destacou ainda que uma fatia significativa trabalha no aparelho do Estado, estimando em cerca de 450 mil os funcionários públicos, o que corresponderia a mais de um quarto dos trabalhadores formais.

Para o líder político, este cenário revela uma economia incapaz de absorver a sua força de trabalho, deixando milhões de pessoas sem garantias de rendimento estável ou protecção social. Mondlane associou ainda esta realidade a fenómenos sociais como o aumento da criminalidade urbana, sugerindo que a precariedade económica pode empurrar parte da população para práticas ilícitas como forma de sobrevivência.

As declarações surgem num contexto de crescentes dificuldades económicas no país, marcadas pela subida do custo de vida, acesso limitado ao emprego formal e forte dependência do sector informal, que continua a ser o principal sustento de grande parte das famílias moçambicanas.

Apesar do tom crítico, o discurso levanta questões centrais sobre políticas públicas, inclusão económica e criação de emprego, num país onde o desafio de transformar crescimento económico em melhoria efectiva das condições de vida continua a ser amplamente debatido. (Moz24h)

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