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Uma bala de presente para Armando Nenane

“Nunca recebi uma bala de presente antes de ter estes processos, pelo que é muito difícil acreditar que esta bala que recebi de presente não tenha nada a ver com os meus processos ora em curso na justiça” – jornalista Armando Nenane
 
O jornalista Armando Nenane denuncia que está a ser alvo de ameaças de morte por indivíduos estranhos, alegadamente por estar a intentar uma acção judicial contra o antigo ministro da Defesa, Salvador Mtumuke, no caso de alegada violação de informação supostamente classificada.
A queixa-crime foi feita ao Serviço de Investigação Criminal (SERNIC) pelo próprio jornalista Armando Nenane, contra o General Salvador Mtumuke. Segundo Nenane, o processo ostenta o número 725-/22/1ªBrigada/3aSecção/ SERNIC.
 
Queixa-crime contra Mtumuke e fauna acompanhante
 
Armando Nenane abriu o processo contra o general, na sequência do arquivamento do outro, inicialmente intentado por Mtumuke contra o jornalista. Tudo começou fruto de uma notícia do semanário Canal de Moçambique, que dava conta de desembolso de valores pelas multinacionais a operar em Cabo Delgado a favor dos efectivos que guarneciam os projectos do gás do Rovuma, que entretanto estes diziam não estar a receber. O jornalista, para confirmar os factos lidos, dirigiu-se a um dos balcões do banco que tutelava a conta do Ministério da Defesa onde eram canalizados os desembolsos. Lá efectuou um depósito de 50 meticais, tendo alegado que o seu gesto tratava-se de um acto de cidadania e consistia na contribuição para ajudar as FDS no terreno. Feito isso, Nenane postou nas redes sociais o talão de depósito, onde constava a assinatura do general como titular dessa conta. Tudo isso levou o general a intentar uma acção contra Nenane. Segundo apurámos, em conexão com o caso, Armando Nenane já foi ouvido em declarações pelo SERNIC, no passado dia 02 de Setembro do ano em curso. Aliás, segundo conta o jornalista Armando Nenane, foi nesta circunstância que recentemente se dirigiu à PGR para se inteirar do seu processo, quando indivíduos estranhos o terão seguido em plena luz do dia e terão o ameaçado de morte. Conforme justifica ainda a fonte, pesou contra Salvador Mtumuke o despacho de arquivamento do Processo Nº 121/1102/P/2022 em que no mesmo, Nenane vinha sendo acusado de crimes de difamação e falsificação de documentos pelo general e antigo ministro da Defesa, Atanásio Salvador Mtumuke. Recorde-se que Armando Nenane tornou público um talão de depósito de 50,00 meticais numa conta domiciliada no Banco Comercial e de Investimentos (BCI) da Direcção Nacional de Logística e Finanças do Ministério Nacional de Defesa, que ostentava o nome do antigo ministro da Defesa, como assinante da mesma. Em sede da Procuradoria- -Geral da República (PGR), no ano em curso, Armando Nenane foi ilibado dos crimes de falsificação de documentos e difamação de que vinha sendo acusado pelo antigo ministro da Defesa Nacional, Atanásio Salvador Mtumuke. Por diante, o jornalista Armando Nenane fez uma queixa-crime no SERNIC contra Atanásio Salvador Mtumuke, por alegados crimes de denúncia caluniosa e difamação. Na mesma senda, Armando Nenane fez outra queixa- -crime contra personalidades da praça pública que considera estarem ao serviço de contra-informação e propaganda do partido Frelimo, nomeadamente o advogado Elísio de Sousa, o historiador Egídio Vaz e o jurista Julião Arnaldo, por crimes de denúncia caluniosa, difamação e injúria. Ameaça de morte Em contacto com o PpP, Armando Nenane confirma as ameaças e recorda que foi perseguido por indivíduos suspeitos quando caminhava pela rua onde funciona o Ministério do Interior até à Praça da Independência, na cidade de Maputo, tendo posteriormente seguido pela Rua da Rádio Moçambique. “Segui pela rua entre a Casa de Ferro e o Jardim Tunduru, um pouco depois do portão principal do Jardim Tunduru parei e perguntei ao indivíduo que me seguia por que estava constantemente a me perseguir. E o indivíduo estranho respondeu: Mandaram-me para te entregar isto!”, Disse Nenane contando que isso aconteceu enquanto recebia do indivíduo uma bala de AKM na sua mão. Para Nenane, que inclusive denunciou a ameaça através da sua conta pessoal do Facebook, o objectivo da ameaça de morte que sofreu é de o intimidar para não levar avante alguns processos do seu interesse. “Nunca recebi uma bala de presente antes de ter estes processos, pelo que é muito difícil acreditar que esta bala que recebi de presente não tenha nada a ver com os meus processos, ora em curso na justiça”, acusa Armando Nenane. (Ponto por Ponto)
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