Pelo menos 13.409 pessoas, 49% das quais crianças, fugiram de ataques extremistas nas últimas duas semanas de Ancuabe, província moçambicana de Cabo Delgado, segundo relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
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De acordo com o último relatório da agência das Nações Unidas, entre 01 e 12 de maio, ataques de grupos armados não estatais no distrito de Ancuabe desencadearam deslocações para várias aldeias e locais de deslocação dentro de Ancuabe e para o distrito vizinho de Montepuez.
Nesse período, equipas da OIM e as autoridades locais registaram um total acumulado de 13.409 pessoas deslocadas nas comunidades de acolhimento e locais de deslocação, com concentrações significatrivas nas localidades de Nanjua A e Nanjua B, Namanhumbir Sede, no distrito de Montepuez, e a aldeia de Muaja.
Do total de pessoas deslocadas, a OIM estima que 49% (6.580 indivíduos) sejam crianças e 29% (3.873) mulheres, das quais 78 grávidas. O documento assinala ainda a presença de 255 pessoas com mais de 60 anos, bem como 59 doentes crónicos e 12 indivíduos com deficiências físicas entre os deslocados.
“Os parceiros de proteção no terreno manifestaram preocupação com os riscos significativos de separação familiar, violência de género, perda de documentação e sofrimento psicossocial. A duração do deslocamento permanece incerta”, alerta a OIM, que aponta ainda para necessidades urgentes de abrigo, alimentação e assistência não alimentar às vítimas.
Na quarta-feira, a agência da ONU avançou, em comunicado, que mais de 12 mil pessoas, metade crianças e incluindo 62 grávidas, fugiram desde o início do mês de ataques terroristas em Ancuabe.
De acordo com o documento, que analisa o período de 01 a 10 de maio, “ataques seguidos pelo medo” de grupos armados não estatais, que operam há mais de oito anos no norte de Moçambique, “desencadearam deslocamentos para várias aldeias”, dentro de Ancuabe e para o distrito vizinho de Montepuez.
A OIM aponta que, das 3.507 mulheres adultas (29%) identificadas nos grupos de deslocados, 62 estavam grávidas, além do registo de 5.870 crianças (49% dos deslocados de Ancuabe), 183 pessoas com mais de 60 anos e 22 portadoras de deficiência, manifestando “preocupação com os riscos significativos de separação familiar, violência de género, perda de documentos e sofrimento psicossocial”.
Este relatório surge depois da Direção-Geral da Proteção Civil Europeia e das Operações de Ajuda Humanitária (ECHO) ter estimado, na terça-feira, que pelo menos 11 mil pessoas foram deslocadas pelos recentes ataques armados, entre finais de abril e início de maio, nos distritos de Ancuabe e Montepuez, em Cabo Delgado.
Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram, em 07 de maio, ataques em Cabo Delgado, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de cristãos de de mais de 200 casas, no distrito de Ancuabe.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 20 de abril a 03 de maio, dos 2.371 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.191 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
A ACLED registou 15 eventos violentos em duas semanas na província de Cabo Delgado, sete envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 15 mortos, elevando para 6.542 os óbitos desde 2017.

