A Electricidade de Moçambique (EDM) reafirmou esta quinta-feira (11), na abertura da 5.ª Conferência Empresarial de Energias Renováveis em Moçambique (RENMOZ 2026), o compromisso de acelerar a electrificação do País e reforçar a produção de energia limpa, com o objectivo de garantir o acesso universal à electricidade até 2030.
Durante a sua intervenção, o administrador executivo da EDM, António Munguambe, explicou que a estratégia da empresa está alinhada com o Plano Director do sector eléctrico e com o Compacto de Energia, uma iniciativa apoiada pelo Banco Mundial e pelo Banco Africano de Desenvolvimento, que visa levar electricidade a cerca de 300 milhões de africanos até 2030. “Os três pilares estratégicos da EDM são electrificar o País, assegurar o acesso universal à energia para todos os moçambicanos até 2030 e transformar Moçambique num pólo energético regional”, afirmou.
O responsável sublinhou ainda que a empresa tem vindo a reforçar as políticas de inclusão, com destaque para a participação feminina. Segundo o administrador executivo da EDM, a meta é atingir 40% de mulheres no quadro de pessoal. “Estamos a promover bolsas de estudo para raparigas, programas de estágios profissionais e outras iniciativas que nos vão permitir alcançar, de forma efectiva, esta meta dos 40%”, acrescentou António Munguambe.
No que diz respeito à transição energética, a EDM destacou que o futuro do sector eléctrico em Moçambique passa pela expansão das energias renováveis, pela industrialização verde e pela adopção de fontes limpas também no sector dos transportes. De acordo com o administrador executivo, a empresa desempenha um papel central neste processo, garantindo simultaneamente a sustentabilidade financeira das suas operações.
Entre os desafios actuais, António Munguambe apontou as perdas de energia e a vandalização das infra-estruturas eléctricas, factores que continuam a afectar o desempenho da empresa. “As perdas de energia e a vandalização das infra-estruturas têm um impacto negativo significativo nas nossas operações”, alertou o responsável da EDM.
No domínio da expansão da geração, a empresa apresentou projectos hidroeléctricos estruturantes, nomeadamente Chua e Mavuzi II, na província de Manica, cada um com capacidade prevista de 50 MW. Estes projectos visam reforçar o fornecimento de energia ao Corredor da Beira, uma das zonas com maior dinamismo económico do País. “Precisamos de garantir condições para que exista energia suficiente ao longo do Corredor da Beira”, sublinhou o administrador executivo da EDM.
A EDM anunciou ainda projectos de geração renovável em Gurúè, Montepuez, Angoche e Nampula, orientados para apoiar sectores produtivos como a agricultura, a mineração e a indústria. “Queremos reduzir a dependência de combustíveis fósseis e contribuir para a descarbonização da região”, afirmou António Munguambe, defendendo também o envolvimento do sector privado no financiamento destas iniciativas.
Por fim, a empresa destacou o avanço da construção da rede de transmissão nacional de 400 quilovolts, uma infra-estrutura estratégica que irá ligar o sul, centro e norte do País. Este projecto permitirá maior integração do sistema eléctrico nacional e melhor aproveitamento dos recursos energéticos. “Com a conclusão desta infra-estrutura, estaremos a consolidar a espinha dorsal de 400 quilovolts em Moçambique”, concluiu o administrador executivo da EDM, António Munguambe.(DR)
